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AJUDA PARA OS CLUBES

Governo projeta socorro de até R$ 20 bilhões para clubes após risco do fim de bets

A proposta em discussão prevê uma linha de crédito para ajudar clubes e SAFs a reorganizarem dívidas

Marina Branco
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| Atualizada em
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Bets - Foto: Raphael Muller / Ag. A TARDE

O país inteiro entrou em alerta com a possibilidade de proibição ou restrição das bets no Brasil, e o Governo Federal criou seu plano de socorro financeiro para a situação. A proposta em discussão prevê uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões, via BNDES, para ajudar clubes e SAFs a reorganizarem dívidas.

A ideia, que já vinha sendo discutida havia meses, ganhou força depois de o governo acelerar uma Medida Provisória sobre o setor de apostas. O presidente Lula prepara uma nova regra para as bets, com possibilidade de acabar com todas as apostas esportivas e jogos de cassino ou restringir parte do mercado.

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Futebol teme perda bilionária

A preocupação dos clubes é o impacto direto nas receitas, com previsão de que o futebol brasileiro perca cerca de R$ 1 bilhão por ano apenas em patrocínios diretos de casas de apostas.

Além disso, dirigentes também calculam perdas indiretas, como queda em arrecadação com placas publicitárias, publicidade em transmissões esportivas, naming rights de competições e contratos comerciais ligados ao setor.

Diante desse cenário, o plano de socorro passou a ser tratado como uma forma de compensação ao impacto que uma eventual restrição às bets teria sobre o futebol.

Reuniões com clubes e governo

Uma reunião sobre o tema ocorreu há cerca de um mês e contou com dirigentes de clubes, incluindo representantes de Internacional e Corinthians, além de integrantes do governo. A CBF participa da articulação, mas não conduz diretamente o programa.

O plano vem sendo chamado de Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional. Ainda há possibilidade de ajustes antes de uma definição final, mas a ideia do governo seria editar uma Medida Provisória para criar o programa de socorro e, posteriormente, levar a discussão ao Congresso Nacional.

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Bets - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Como funcionaria o empréstimo

A proposta prevê a criação de uma linha de crédito federal de até R$ 20 bilhões para clubes e SAFs. A intenção é permitir que as equipes troquem dívidas mais caras por financiamentos com juros mais baixos, usando condições ligadas ao BNDES.

O dinheiro viria do superávit financeiro de 2025, com os empréstimos sendo feitos por meio de bancos habilitados. O risco de crédito ficaria com os bancos, não com a União, em modelo semelhante ao utilizado em programas voltados a produtores rurais.

O plano não prevê perdão de dívidas, uma vez que a operação funcionaria como empréstimo, com pagamento em até 20 anos e carência de dois anos para o início da quitação.

Dinheiro teria uso limitado

Os recursos, no entanto, não poderiam ser usados livremente pelos clubes. Pela proposta em discussão, o dinheiro seria direcionado ao pagamento de dívidas trabalhistas, direitos de imagem, débitos com Receita Federal, INSS e FGTS, empréstimos bancários, dívidas cíveis e investimentos em infraestrutura de categorias de base.

O valor não poderia ser usado para pagar salários correntes, contratar jogadores, cobrir custos do dia a dia ou distribuir lucros e dividendos a donos de SAFs.

Em alguns casos, o dinheiro do empréstimo poderia ir diretamente para os credores, reduzindo o risco de desvio de finalidade.

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Mau uso pode excluir clube do programa

O projeto também prevê punições para clubes que utilizarem os recursos de forma indevida ou atrasarem parcelas do financiamento. Nesses casos, a dívida poderia vencer antecipadamente, e a equipe seria excluída do programa.

A medida busca evitar que o plano seja visto como socorro sem contrapartidas. A proposta, segundo o desenho inicial, tenta atrelar o acesso ao crédito à reorganização financeira dos clubes.

Debate ocorre em meio à pressão contra bets

A discussão acontece em um momento de forte pressão sobre o mercado de apostas, em que o governo avalia restrições diante dos impactos sociais associados ao setor, especialmente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade.

Clubes, federações e entidades esportivas, por outro lado, vêm se mobilizando contra mudanças abruptas no modelo regulado. O argumento é que a retirada ou limitação das bets pode afetar contratos já assinados, planejamento financeiro, futebol feminino, categorias de base e competições de menor apelo comercial.

Com a possibilidade de uma Medida Provisória sobre as apostas, o plano de socorro financeiro passou a ser acelerado como tentativa de reduzir o impacto econômico sobre o futebol brasileiro.

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