"SINTO VERGONHA"
Hebert Conceição repudia agressão a Fábio Mota em corrida em Salvador
Medalhista olímpico e torcedor do Bahia condena violência e reflete sobre o fim da torcida mista
Após o presidente do Esporte Clube Vitória, Fábio Mota, ser hostilizado durante uma corrida na orla de Salvador, neste domingo, 7), o pugilista e torcedor tricolor, Hebert Conceição utilizou suas redes sociais para condenar duramente o comportamento do agressor. O incidente ocorreu em meio a um evento realizado pela torcida organizada do Bahia (BAMOR).
"Eu, como torcedor do Bahia, sinto vergonha"
O campeão olímpico não poupou críticas à atitude de um torcedor que arremessou um copo contra o dirigente rubro-negro. Para Hebert, episódios como este demonstram um comportamento que, infelizmente, se tornou enraizado em parte das arquibancadas.
"Eu, como torcedor do Bahia, sinto vergonha desse vídeo, eu discordo totalmente da atitude desse torcedor. Mas queria ressaltar também que essa é uma atitude que está enraizada, infelizmente, nos comportamentos de vários torcedores", desabafou o pugilista em seu perfil oficial.
O impacto nas torcidas mistas
Hebert aproveitou a repercussão do caso para refletir sobre o retrocesso na convivência entre rivais. Segundo ele, o clima de hostilidade permanente reforça o posicionamento das autoridades de segurança e do Ministério Público em manter a proibição de torcidas visitantes e mistas em clássicos no estado.
"Infelizmente, isso me faz refletir que cada vez menos a gente tem a possibilidade de ter torcida à vista nos estádios. [...] Reforçam que o Ministério Público está cada vez mais certo de que a gente não tenha educação suficiente para conviver com gente que tem opinião oposta", declarou.
O limite entre a "zoação" e o desrespeito
Embora tenha classificado a agressão como inaceitável, o atleta também questionou a postura do presidente do Vitória, sugerindo que, em um ambiente de torcida organizada rival, a presença de um dirigente comemorando um título recente poderia ter sido evitada.
No entanto, Hebert enfatizou que a "resenha" — o deboche sadio entre rivais — deveria ser o limite do futebol, e não o confronto físico.
"Faz parte do jogo, a zoação. [...] A gente perdeu a oportunidade de fazer uma das maiores resenhas da história dos clássicos, ver todo mundo rindo aqui na rede social, chamar ele de apelidos, de diversas coisas. A gente podia ter zoado com ele, assim como ele tava levando na zoação, estava dando tchauzinho, resenhando com a gente também", completou.