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POLÊMICA ANTIGA

Técnico que chamou Neymar de "monstro" volta atrás após 16 anos

Renê Simões afirma que manteria a crítica feita, mas admite que não usaria mais o termo

Téo Mazzoni
Por
Renê Simões diz que manteria as críticas ao comportamento de Neymar, mas admite que não usaria mais a palavra que marcou a declaração de 2010.
Renê Simões diz que manteria as críticas ao comportamento de Neymar, mas admite que não usaria mais a palavra que marcou a declaração de 2010. - Foto: Reprodução

Há 16 anos surgia no futebol brasileiro aquele que seria apontado como o próximo grande craque produzido no país: Neymar Jr. À época, o atacante do Santos tinha apenas 18 anos e já encantava pelos lances dentro de campo. No entanto, além do talento quase genial, o jovem também chamava atenção pelo temperamento explosivo.

Foi justamente após um episódio de descontrole envolvendo Neymar e o então técnico do Santos, Dorival Júnior, que o ex-treinador
Renê Simões protagonizou uma das declarações mais marcantes do futebol brasileiro na última década. A frase, inclusive, foi frequentemente retomada ao longo da carreira do camisa 10 em razão de algumas de suas atitudes fora e dentro dos gramados.

Na ocasião,
Renê Simões, que comandava o Atlético-GO, criticou duramente o comportamento do atacante após uma partida entre as equipes pelo Campeonato Brasileiro de 2010. Durante o confronto, Neymar descumpriu orientações de Dorival Júnior e discutiu com o treinador, gerando grande repercussão nacional.

Foi então que Renê fez a declaração que ficou marcada na história do futebol brasileiro
:

Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro

Renê Simões - na época treinador do Atlético-GO

Estou extremamente decepcionado. Estou desde garoto no futebol e poucas vezes vi alguém tão mal-educado desportivamente. Sempre trabalhei com jovens e nunca vi nada assim. Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro”, afirmou Renê Simões, indignado com a postura de Neymar não apenas naquele jogo, mas também em outras ocasiões.

“O que esse rapaz tem feito é inaceitável.
Algo precisa ser feito, Neymar tem de ser educado logo. Desse jeito, ele vai virar um monstro. Fui ao Dorival dizer que estava certo ao repreendê-lo. Neymar, hoje, não é um homem, nem um grande jogador, é um projeto disso tudo. Fiquei decepcionado com o futebol depois desse episódio”, continuou Simões.

Agora, 16 anos após o episódio, Renê Simões voltou a comentar o caso e afirmou que não mudaria praticamente nada do que disse na época. No entanto, segundo ele, apenas uma palavra seria retirada da declaração:
o termo “monstro”.

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Em entrevista à Rádio Sociedade, o ex-treinador explicou o motivo de seu arrependimento em relação à expressão utilizada e revelou que a reflexão surgiu após conversas com sua filha, Renata Simões, psicóloga.

Renê Simões revelou que a reflexão sobre a declaração feita em 2010 surgiu a partir de conversas com sua filha, Renata Simões, psicóloga. Segundo o ex-treinador,
ela questionou o uso da palavra "monstro" tanto na época da entrevista quanto anos depois, levando-o a reavaliar a expressão utilizada para se referir a Neymar.

O treinador explicou que,
apesar de manter a essência da mensagem transmitida naquele momento, passou a considerar inadequado o termo empregado para caracterizar o comportamento do então jovem atacante santista.

E a segunda vez foi há meses atrás, quando dei uma entrevista dizendo que não mudaria nada do que falei, mas ela (a filha) virou para mim e perguntou: ‘você é a mesma pessoa de 2010?’ Eu disse não, não sou. Ela perguntou: ‘então você vai continuar usando a palavra ‘monstro’?’. Foi aí que eu disse: você tem razão. Eu só tiraria a palavra ‘monstro’ e deixaria tudo que eu falei”, afirmou o ex-treinador

Ainda de acordo com Renê,
a intenção da crítica nunca foi atacar Neymar pessoalmente, mas alertar sobre a necessidade de orientação para jovens atletas que convivem precocemente com fama, dinheiro e poder. Na visão do treinador, a mensagem continua atual, embora hoje ele escolha uma forma diferente de expressá-la.

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Dorival Júnior neymar René Simões santos

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