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Time brasileiro que teve três atletas na Copa luta para não falir

Clube cogita emprestar camisa e escudo para continuar no futebol profissional

Marina Branco
Por
Estádio do Rio Branco
Estádio do Rio Branco - Foto: Divulgação I Rio Branco

Há vinte anos atrás, o Rio Branco tinha três atletas formados por ele brilhando em uma Copa do Mundo. Hoje, o tradicional clube de Americana, no interior de São Paulo, enfrenta uma crise que ameaça sua continuidade no futebol profissional.

Conhecida por revelar jogadores que chegaram à Copa do Mundo, a equipe paulista estuda uma solução incomum para evitar o encerramento das atividades - ceder temporariamente seu nome, uniforme e escudo a uma empresa responsável pelo futebol do Sertãozinho, que passaria a representar o clube na Série A-2 do Campeonato Paulista de 2027.

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Na Copa do Mundo de 2006, o clube teve três jogadores formados em suas categorias de base defendendo seleções diferentes, sendo Mineiro pelo Brasil, Zinha pelo México, e Marcos Senna pela Espanha.

Duas décadas depois, a equipe disputa a Série A-3 do Paulista e tenta encontrar alternativas para continuar existindo em meio a dívidas, penhoras e questionamentos sobre movimentações financeiras.

Marcos Senna pela Espanha
Marcos Senna pela Espanha - Foto: Reprodução I Instagram

De revelador de talentos à crise financeira

Fundado em Americana, município localizado a aproximadamente 120 quilômetros da capital paulista, o Rio Branco viveu seu período de maior destaque a partir de 1991, quando chegou à elite estadual pela primeira vez.

O clube permaneceu durante 17 temporadas consecutivas na primeira divisão paulista e ganhou reconhecimento pela formação de atletas. Além dos três jogadores que disputaram a Copa de 2006, revelou nomes como Flávio Conceição, Marcelinho Paraíba e Marcos Assunção.

A queda, no entanto, começou a se acentuar após o rebaixamento de 2007. Houve um breve retorno à elite em 2010, mas o Rio Branco passou a frequentar divisões inferiores e chegou a disputar a chamada Bezinha, último nível do futebol paulista.

Em 2024, conquistou o título da Série A-4 e retornou à terceira divisão estadual, mas ainda não foi suficiente para melhorar os problemas. O Estádio Décio Vitta, sua casa, por exemplo, não recebe partidas noturnas há oito anos por problemas no sistema de iluminação.

Estádio do Rio Branco
Estádio do Rio Branco - Foto: Divulgação I Rio Branco

Dívidas e disputa por dinheiro de Vanderson

Em 2023, o Rio Branco entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar suas dívidas e evitar a falência. Na ocasião, o processo reunia 41 credores, com aproximadamente R$ 6,6 milhões a receber.

Parte da esperança de reorganização financeira está ligada ao lateral-direito Vanderson, jogador revelado pelo clube e atualmente no Monaco, da França.

Em 2016, o Rio Branco havia firmado uma parceria com o ex-atacante Sandro Hiroshi para administrar suas categorias sub-15 e sub-17. O acordo previa a divisão das receitas obtidas com atletas: 70% para a empresa de Hiroshi e 30% para o clube.

Vanderson foi uma das revelações dessa estrutura e se transferiu ao Grêmio em 2018. Posteriormente, o clube gaúcho negociou o lateral com o Monaco.

Em junho deste ano, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) determinou que o Grêmio pagasse R$ 1,9 milhão ao Rio Branco. No entanto, uma decisão posterior permitiu ao clube gaúcho incluir a obrigação em um plano de parcelamento de dívidas, com prazo de até 60 meses.

A quantia também é motivo de disputa com Sandro Hiroshi, ex-atacante que obteve uma decisão liminar determinando que somente 30% do dinheiro seja destinado à recuperação judicial do Rio Branco, enquanto os outros 70% sejam encaminhados à sua empresa.

Vanderson pela Seleção Brasileira
Vanderson pela Seleção Brasileira - Foto: CBF

Movimentações financeiras são investigadas

A recuperação judicial também passou a ser marcada por questionamentos de credores sobre transferências bancárias envolvendo a empresa Manager, que tem entre seus sócios o presidente do Rio Branco, Cláudio Bonaldo.

Documentos apresentados à Justiça apontam que, em dezembro de 2024, um depósito de R$ 1,2 milhão feito pelo Grêmio na conta do clube foi seguido de transferências do mesmo valor para a Manager. Situação semelhante ocorreu em janeiro de 2025, envolvendo R$ 533 mil.

Diante dos questionamentos, o juiz Willi Lucarelli determinou uma auditoria nas movimentações financeiras. O Ministério Público também solicitou à Polícia Civil uma apuração preliminar sobre possíveis irregularidades no processo de recuperação judicial.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ainda não havia sido instaurado inquérito policial. O Rio Branco, por sua vez, nega irregularidades e afirma que a Manager foi escolhida pelo Conselho Deliberativo para centralizar receitas e despesas em razão das dificuldades administrativas e financeiras do clube.

Além disso, os credores também questionaram um empréstimo de R$ 887 mil realizado pela Maximóveis, empresa ligada ao vice-presidente Gilson Roberto Bonaldo, irmão do presidente. A Justiça solicitou documentos relacionados à operação, e o clube afirma ter apresentado os contratos ao administrador judicial.

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Parceria com Sertãozinho é alternativa para 2027

Em meio à crise, o Rio Branco negocia com a empresa responsável pela gestão do futebol do Sertãozinho uma possível mudança de estrutura para a próxima temporada.

A proposta prevê que a empresa transfira suas atividades para Americana e utilize temporariamente a identidade visual do Rio Branco, incluindo camisa e escudo, para disputar a Série A-2 do Campeonato Paulista.

Enquanto isso, a associação original pediria licença à Federação Paulista de Futebol, deixando de disputar a Série A-3 com seu próprio registro.

A diretoria sustenta que o clube não tem recursos suficientes para bancar outra temporada. A projeção apresentada à Justiça aponta despesas de até R$ 1,8 milhão, contra uma arrecadação estimada, em cenário otimista, de apenas R$ 480 mil.

O acordo retiraria do Rio Branco os custos operacionais de disputar a competição. Segundo a proposta, o patrimônio da associação, estimado em mais de R$ 100 milhões, não seria transferido. Uma futura participação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) também é considerada.

O advogado Régis Villas Bôas Villela, que assumiu a defesa do Rio Branco na recuperação judicial, é sócio da empresa que administra o Sertãozinho.

Rio Branco em campo
Rio Branco em campo - Foto: Divulgação I Rio Branco

Justiça ainda precisa avaliar acordo

Ainda que as negociações estejam em andamento, a parceria não está concluída. A Justiça autorizou a continuidade das conversas, mas deixou claro que qualquer operação envolvendo bens ou direitos sujeitos ao controle judicial dependerá de avaliação específica.

O administrador judicial manifestou parecer inicialmente favorável à proposta, com a ressalva de que o contrato definitivo precisa ser apresentado para análise.

O prazo também preocupa. Os clubes participantes das Séries A-2 e A-3 precisam apresentar à Federação Paulista a documentação de licenciamento até a próxima segunda-feira, 19.

Rio Branco em campo
Rio Branco em campo - Foto: Divulgação I Rio Branco

Caso a negociação não avance, uma alternativa discutida é disputar a terceira divisão estadual com atletas das categorias de base, reduzindo despesas e evitando a possível desfiliação.

Assim, o Rio Branco tenta recorrer novamente à formação de jogadores, atividade que o tornou conhecido nacionalmente, para preservar sua história, e o clube que um dia teve três representantes na mesma Copa do Mundo agora enfrenta uma corrida contra o tempo para continuar no futebol profissional.

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copa do mundo falência Rio Branco

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