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Viagens e processos: conheça o passado polêmico do presidente da CBF

Samir Xaud é acusado de usar verba da entidade com viagens de suposta amante

Lucas Vilas Boas
Por
| Atualizada em
Samir Xaud, presidente da CBF
Samir Xaud, presidente da CBF - Foto: Mauro Pimentel | AFP

As denúncias sobre um suposto uso indevido de recursos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recolocaram em evidência o histórico de polêmicas envolvendo o presidente da entidade, Samir Xaud.

Segundo a reportagem publicada nesta segunda-feira, 15, pelo Portal Léo Dias, o dirigente teria utilizado verbas da CBF para custear despesas pessoais durante viagens internacionais. A entidade nega qualquer irregularidade e afirma que todos os gastos realizados estão vinculados exclusivamente a atividades institucionais.

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O episódio soma-se a uma série de questionamentos que já acompanhavam Samir Xaud antes mesmo de sua eleição para o comando da confederação. Médico de formação e oriundo de uma tradicional família ligada ao futebol de Roraima, ele assumiu a presidência da CBF depois do apoio da maioria das federações estaduais e uma candidatura única.

Polêmicas de família

Filho de Zeca Xaud, presidente da Federação Roraimense de Futebol há décadas, Samir tentou ingressar na política em duas oportunidades, disputando uma vaga de deputado estadual em 2018 e 2022 pelo MDB, sem sucesso.

Familiares do dirigente também já estiveram ligados a investigações e episódios de repercussão nacional. Sua irmã, Samara Xaud, trabalhou como assessora do senador Chico Rodrigues, que ganhou notoriedade em 2020 após ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Já Sandrea Xaud é casada com o empresário Roger Pimentel, investigado por suposto superfaturamento na venda de testes rápidos para a Secretaria de Saúde de Roraima durante a pandemia de Covid-19.

Outra questão que chamou atenção antes da eleição de Samir para a presidência da CBF foi sua relação empresarial com Simone Bekel. Os dois são sócios da academia Life Fitness.

Bekel foi presa em 2018 durante a Operação Escuridão, da Polícia Federal, que investigou suspeitas de fraude em contratos de alimentação destinados a presídios e hospitais de Roraima. A empresa aparece como inapta junto à Receita Federal por omissão de declarações fiscais.

Improbidade Administrativa

Além das conexões familiares e empresariais, o presidente da CBF também é alvo de uma ação por improbidade administrativa no Tribunal de Justiça de Roraima. O processo teve origem em uma investigação conduzida pelo Ministério Público estadual com base em auditorias do Tribunal de Contas.

A acusação sustenta que, durante sua gestão à frente do Hospital Geral de Roraima, o atual presidente da CBF teria participado da suposta falsificação de documentos para simular a prestação de serviços médicos inexistentes, beneficiando a empresa Coopebras e causando um prejuízo estimado em R$ 1,4 milhão aos cofres públicos.

Inicialmente, Samir Xaud declarou à imprensa que o caso havia sido arquivado. Posteriormente, sua defesa esclareceu que a afirmação fazia referência a um procedimento administrativo interno, enquanto a ação judicial continua em tramitação.

"No âmbito do Tribunal de Contas do Estado, todas as certidões negativas evidenciam a inexistência de pendências ou restrições. Desta forma, Samir Xaud plenamente habilitado, com idoneidade comprovada e sem qualquer irregularidade em sua atuação como gestor público", diz trecho da explicação da defesa de Samir Xaud.

"Em relação ao processo de improbidade, não há nenhum indício de irregularidade praticada, seja na esfera pública ou privada de Samir Xaud. Este fato será demonstrado no momento oportuno, nos autos do processo, após citação e manifestação de todas as partes", completa.

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Área de proteção ambiental

O dirigente também teve seu nome relacionado a discussões envolvendo uma propriedade rural localizada em Rorainópolis, no sul de Roraima. A Fazenda Paraíso Perdido estaria situada em uma área de proteção ambiental inserida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Itapará-Boiaçu, dentro da Área de Proteção Ambiental Baixo Rio Branco.

Documentos obtidos pelo UOL apontam divergências entre a data de posse declarada e o registro cartorial da propriedade. Os advogados de Samir Xaud, no entanto, negam que ele seja proprietário do imóvel.

Em nota divulgada durante o processo eleitoral da CBF, a defesa do dirigente afirmou que ele não possui pendências junto à Polícia Federal, à Justiça Federal, à Justiça do Trabalho e ao Tribunal de Contas do Estado de Roraima.

"Quanto à alegação de infração ambiental, não há nenhum processo de regularização fundiária, seja de natureza rural ou urbana, em nome de Samir Xaud. Certidão atualizada e emitida, nesta quinta-feira (22), pelo Instituto de Terras e Colonização do Estado de Roraima (ITERAIMA), comprova esta afirmação", informou a defesa.

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cbf Samir Xaud

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