HISTÓRIA DO A TARDE
Projeto Memória Viva aproxima sociedade do acervo histórico de A TARDE
Com registros desde 1912, A TARDE planeja espaço interativo dedicado à memória baiana


Há mais de um século, A TARDE registra os acontecimentos que ajudam a contar a história da Bahia. Preservar esse patrimônio e mantê-lo acessível à sociedade é a missão do Centro de Documentação e Memória (Cedoc), que reúne edições do jornal desde sua primeira publicação, em 15 de outubro de 1912, além de fotografias, documentos e outros registros históricos. Agora, o grupo dá um passo além nessa trajetória com o projeto Memória Viva A TARDE, que prevê a criação de um Centro de Memória na sede da empresa, no Caminho das Árvores.
A proposta é ampliar as possibilidades de acesso e uso desse patrimônio, com a requalificação do espaço físico, a implantação de uma área expositiva com recursos tecnológicos interativos e a realização de atividades culturais e educativas. Aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, o projeto está em fase de captação de patrocínios junto à iniciativa privada.
“A salvaguarda da memória institucional de A TARDE, ao longo dos seus 114 anos de existência, é um dos focos principais do Cedoc, mas o acervo também presta um serviço de resguardar parte da história da Bahia, contribuindo para preservar a memória social do Estado a partir da produção jornalística de A TARDE e dos demais documentos presentes no acervo”, explica Andreia Santana, coordenadora do centro.
Criado em 1978, inicialmente como Departamento de Pesquisa e Arquivo, o Cedoc passou a adotar a atual denominação em 2010. A mudança reforçou a compreensão de que sua função não se limita à guarda de documentos, mas envolve a preservação da memória institucional e social.
A hemeroteca reúne as edições do jornal desde 1912, enquanto a fototeca conta com mais de 100 mil pastas de fotografias impressas. O conjunto inclui mais de 1.400 fotografias relacionadas às religiões de matriz africana e mais de 2.600 imagens das festas de largo e do calendário religioso de Salvador. Também fazem parte do acervo negativos, microfilmes, vídeos, documentos pessoais e equipamentos históricos ligados à produção jornalística.
“A hemeroteca (coleção de jornais), a fototeca (o acervo fotográfico), negativos, equipamentos e demais peças do acervo permitem revisitar o passado e entender os caminhos traçados até o presente e os prognósticos para o futuro”, explica Andreia.
Segundo ela, as páginas do jornal e o conjunto de fotografias e documentos preservam modos de vida, hábitos, costumes e acontecimentos marcantes da sociedade baiana. “Fatos importantes do Brasil e do mundo que tiveram cobertura por A TARDE também, porque o jornal diário é um registro vivo e em constante atualização da história social.”
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Coleções digitalizadas
As edições do jornal já foram digitalizadas, facilitando a preservação e a consulta ao conteúdo. O acesso ainda é realizado nos terminais do Cedoc. A coleção fotográfica também representa uma frente importante de trabalho, pois precisa passar pelo processo de digitalização.
É nesse contexto que se insere o Memória Viva A TARDE. Além de melhorias na estrutura física do arquivo, a proposta prevê recursos de acessibilidade, exposições interativas, projeções, uma sala imersiva e exposições digitais. O projeto também contempla visitas guiadas para estudantes da rede pública, atividades educativas e parcerias com instituições de ensino.
Hoje, o Cedoc já recebe estudantes de graduação, pesquisadores de mestrado e doutorado, professores, documentaristas, produtoras de vídeo, agências de publicidade, empresas e pessoas interessadas em recuperar memórias familiares. As consultas presenciais são feitas mediante agendamento.“Temos uma demanda muito grande de pesquisadores”, diz Andreia Santana.
O centro também fornece informações e imagens que ajudam a contextualizar reportagens e produções do Grupo A TARDE, contribuindo para que os registros históricos sejam utilizados na cobertura jornalística atual. Uma das iniciativas que traduzem essa ligação entre passado e presente é o projeto A TARDE Memória, criado em outubro de 2020 pela jornalista e antropóloga Cleidiana Ramos.
Publicado aos sábados no jornal impresso e no portal, o conteúdo recupera fatos, personagens e imagens de outras épocas para produzir reportagens que relacionam a história a questões da atualidade. Os materiais também são adaptados para as redes sociais, com vídeos, cards, gifs e enquetes.
“No A TARDE Memória, buscamos na História preservada nas páginas das edições de A TARDE ou nas imagens do acervo fotográfico, os temas para novas reportagens”, afirma Andreia. Para ela, a pesquisa histórica precisa ir além da lembrança dos acontecimentos e ajudar a compreender seus desdobramentos. “O uso de acervos históricos, mais do que abrir uma janela para o passado, possibilita a compreensão e contextualização da história, dos usos e dos costumes de uma sociedade. A memória é sensível e é viva, ela se constrói diariamente. Um acervo como o Cedoc permite uma reflexão crítica sobre a construção da identidade social.”


