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Qualidade de vida impulsiona migração para cidades médias

Com alta de lançamentos, Conquista e Feira de Santana são destaques na expansão urbana

Joana Lopes

Por Joana Lopes

14/02/2026 - 10:44 h

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Em primeiro plano a esquerda os prédio da Graça do lado  direito os prédios da av. Centenário e ao fundo a Federação
Em primeiro plano a esquerda os prédio da Graça do lado direito os prédios da av. Centenário e ao fundo a Federação -

A preferência crescente por cidades médias, com melhor equilíbrio entre infraestrutura, mobilidade e bem-estar, tem redesenhado o mapa urbano brasileiro. Dados recentes do DataZAP, braço de inteligência imobiliária do Grupo OLX, mostram que 65% das pessoas interessadas em imóveis aceitariam trocar um grande centro por uma cidade menor em busca de mais qualidade de vida.

O fenômeno, que se intensificou após a pandemia e com o avanço do trabalho remoto, encontra eco em municípios baianos como Feira de Santana e Vitória da Conquista, que vivem um ciclo de expansão imobiliária e aumento populacional.

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O levantamento também revela que a decisão não significa abrir mão de renda: 55% dos entrevistados afirmaram que não mudariam para um local com menor ganho financeiro, mesmo que a qualidade de vida fosse superior.

A equação buscada, portanto, combina oportunidades econômicas com cidades mais organizadas e acessíveis, um cenário que favorece centros urbanos intermediários, capazes de oferecer serviços, universidades, comércio e mobilidade com menos congestionamento e custos mais baixos que as capitais.

“Nos últimos anos, as pessoas passaram a se preocupar mais com o bem-estar na moradia, estando a qualidade de vida relacionada à localização ou aos serviços disponíveis na habitação e que agregam e facilitam o dia a dia. No estudo, observamos que há uma certa dicotomia na relação entre renda e qualidade de vida. Os millennials acabam se destacando nesse contexto, pois se mostram menos dispostos a abrir mão dos ganhos financeiros proporcionados pelos grandes centros urbanos”, afirma Taiane Martins, gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX.

Na Bahia, o crescimento de cidades médias pode ser observado em diferentes regiões. Dados recentes do IBGE indicam expansão populacional em municípios como Luís Eduardo Magalhães, Porto Seguro, Lauro de Freitas e Camaçari, todos com variação positiva de moradores entre 2024 e 2025. O movimento aponta para a descentralização da população e da economia, antes concentradas em Salvador.

Nesse contexto, Feira de Santana, a cerca de 116 quilômetros da capital, se consolida como um dos principais polos urbanos do estado. Com cerca de 657 mil habitantes, a cidade vive um momento de forte dinamismo imobiliário.

“Hoje, Feira é um canteiro de obras. A cidade tem sido destaque em saúde, educação e logística, o que atrai mais moradores. Todo dia surge um bairro novo”, afirma Joilson Nunes, delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) na região.

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A duplicação do Anel de Contorno, ligando importantes rodovias federais, impulsionou a chegada de novos empreendimentos e a valorização de áreas estratégicas.

Apenas no último ano, Feira foi a segunda cidade baiana com maior número de lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, somando mais de 12 mil unidades.

Ao mesmo tempo, cresce a oferta de imóveis compactos, como estúdios e apartamentos de um quarto, voltados principalmente para jovens, estudantes e investidores interessados em locação.

Entre os lançamentos recentes, destaca-se o Ícone Connected Residence, da Carozzo Desenvolvimento Imobiliário, localizado na Avenida Getúlio Vargas. O projeto aposta em tecnologia, sustentabilidade e no modelo de aluguel por curta temporada.

“Observamos, em Feira, uma demanda crescente por imóveis que unem inteligência construtiva, tecnologia, rentabilidade e experiência”, afirma Leandro Carozo, co-CEO da empresa.

Outros projetos reforçam a diversificação do mercado local. No Jardim Brasil, primeiro complexo urbanístico 100% planejado da cidade, estão em desenvolvimento condomínios de casas e apartamentos com infraestrutura de lazer, áreas verdes e serviços integrados.

Já entre os bairros Tomba e Feira VII, o condomínio Città Ville aposta na proximidade com o Parque da Cidade e em opções acessíveis para famílias de renda média.

Se em Feira de Santana o crescimento se dá tanto pela verticalização quanto pela expansão de novos bairros, em Vitória da Conquista — terceira maior cidade da Bahia — o cenário combina adensamento urbano e expansão horizontal.

Bairros como Recreio, Candeias e Boa Vista concentram edifícios residenciais e comerciais, enquanto novas áreas se desenvolvem em direção à saída para Barra do Choça e à zona oeste do município.

Para Jardel Couto, presidente da construtora VCA, o interior baiano se tornou a nova fronteira do setor imobiliário.

“Temos empreendimentos em diversas cidades e buscamos atender desde quem ganha um salário mínimo até grandes investidores”, afirma. A empresa atua em municípios estratégicos como Guanambi, Barreiras, Juazeiro e Ilhéus, com projetos que vão de lotes a imóveis de alto padrão.

Escolha do imóvel

A tendência acompanha a mudança no comportamento do consumidor. A pesquisa do DataZAP mostra que fatores como infraestrutura urbana (74%), mobilidade (66%) e possibilidade de deslocamento a pé (70%) são determinantes na escolha de onde morar. Ou seja, cresce a busca por cidades de “curtas distâncias”, onde trabalho, estudo e lazer estejam mais próximos.

Esse perfil favorece cidades médias com planejamento urbano e oferta de serviços consolidados. Além disso, o custo de vida mais baixo e a sensação de segurança reforçam a atratividade desses locais, especialmente para famílias e pessoas que buscam sair de grandes centros congestionados.

Outro dado relevante do levantamento aponta que 63% dos entrevistados aceitariam morar na região central da cidade onde vivem, índice que sobe para mais de 70% entre moradores de fora das capitais.

A preferência indica valorização de áreas com comércio ativo, acesso a transporte e serviços públicos — características comuns em cidades médias bem estruturadas.

Para especialistas, o movimento deve se intensificar nos próximos anos, impulsionado pela digitalização do trabalho, pela interiorização de universidades e pelo fortalecimento de polos regionais de saúde e comércio.

Na Bahia, cidades como Feira de Santana e Vitória da Conquista devem continuar liderando essa transformação, atraindo novos moradores e investimentos.

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