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Grupo de brasileiros que não consegue sair do Catar

GUERRA

Baiano escapa, mas mísseis retêm brasileiros no Catar; Dubai é rota de esperança

Arquiteto de Salvador decolou pouco antes do fechamento do espaço aéreo; médicos baianos seguem em Doha vendo interceptação de mísseis da janela

Grupo de brasileiros que não consegue sair do Catar - Foto Arquivo Pessoal

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Luan Julião

Por Luan Julião

05/03/2026 - 20:03 h

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O arquiteto baiano Fábio Pera, morador de Salvador, escapou por poucas horas de ficar retido no Catar em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Ele deixou o país apenas quatro horas antes do início dos ataques e interceptações de mísseis, enquanto 15 brasileiros — incluindo dois médicos baianos — permanecem em Doha sem previsão de retorno ao Brasil.

O grupo ficou retido após o fechamento do espaço aéreo em países do Golfo Pérsico, consequência direta do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, que entrou no sexto dia nesta quinta-feira, 5.

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Entre os retidos estão Luiz e Rosana, casal de médicos e auditores da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), surpreendidos pela escalada militar.

Acompanhando a situação à distância, Fábio descreve a mistura de sentimentos: “Eu passei por dois sentimentos muito grandes: um sentimento de alívio e desespero”, relata o arquiteto.

Da imersão cultural ao cenário de guerra

Aquiteto baiano Fábio Pera, morador de Salvador
Aquiteto baiano Fábio Pera, morador de Salvador | Foto: Arquivo Pessoal

A jornada começou como uma experiência cultural e espiritual, reunindo 40 brasileiros de todo o país para uma imersão na cultura indiana e práticas de yoga. Antes do destino final, parte do grupo incluiu Doha no roteiro.

"Alguns decidiram conhecer o Catar antes da Índia. Eu fui um deles, há cerca de 20 dias, um pouco antes do Carnaval", relembra Fábio. Após a Índia, 15 integrantes decidiram prolongar a estadia no Catar no caminho de volta.

"Eles resolveram ficar em Doha, na região do Golfo Pérsico, próximo a Dubai", completa.

"Eu passei por dois sentimentos muito grandes: alívio e desespero".
Fábio Pera

A guerra começou em 28 de fevereiro e transformou a viagem de lazer em um pesadelo geopolítico. Confira os pontos principais da crise:

  • Ataques e alvos: Bombardeios atingiram Teerã e bases militares, deixando mais de 200 mortos.
  • Resposta iraniana: O Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases dos EUA no Golfo.
  • Defesa no Catar: Sistemas antimísseis foram ativados em Doha, com explosões visíveis do centro da cidade.
  • Perigo de fragmentos: O risco iminente é de estilhaços de mísseis interceptados atingirem prédios.
  • Batalha de explosivos vista da janela
Míssil iraniano atinge o Burj Al Arab, único hotel 7 estrelas do mundo
Míssil iraniano atinge o Burj Al Arab, único hotel 7 estrelas do mundo | Foto: Divulgação/Reprodução - Redes sociais

Luiz e Rosana relatam que as interceptações são visíveis dos hotéis. "A paisagem matinal é de uma batalha de explosivos; eles veem tudo pela janela e ficam, claro, super apreensivos", diz Fábio sobre os vídeos recebidos.

Com a emissão de alertas, os hóspedes devem buscar abrigo. "A orientação é manter a calma e descer para o subsolo, que teoricamente oferece mais segurança", explica.

O pânico mantém alguns turistas confinados. "Relataram que há um grupo de japoneses que não sai do subsolo por medo, mas nossos amigos estão conseguindo manter a calma sob orientação do hotel e do governo local".

"As ruas, segundo relatos deles, estão com uma aparência de pandemia. Não tem praticamente ninguém andando."
Fábio Pera

Fábio deixou Doha em conexão e só soube do agravamento quando já estava fora da zona de risco. "Felizmente meu voo decolou apenas quatro horas antes do ocorrido", celebra.

Tentativa de fuga e o susto de Simone Mendes

Na falta de voos, houve tentativas desesperadas de fuga por terra. "Dois brasileiros alugaram um carro para tentar romper a fronteira, uma atitude perigosa pelo risco de serem confundidos com combatentes ou bombardeados na estrada."

A tentativa falhou, pois a fronteira estava fechada.

O medo de fragmentos de mísseis é real e já atingiu outros brasileiros na região. A cantora Simone Mendes estava no mesmo voo de conexão que Fábio e relatou momentos de pânico em Dubai.

Segundo ela, o hotel onde estava hospedada foi atingido por estilhaços de um míssil interceptado, deixando feridos no local pouco antes de sua partida. O relato reforça a gravidade da situação para quem ainda não conseguiu deixar o Golfo.

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Posicionamento do Itamaraty e a rota por Dubai

Uma esperança é a saída por Dubai. "Dizem que há expectativa de voos saindo de lá, mas o Itamaraty precisaria obter vistos provisórios para os brasileiros, o que ainda não ocorreu", finaliza Fábio.

"Hoje mesmo eu liguei para um deles, foi para o Luiz. E ele disse da preocupação dele, porque hoje pela manhã teve um bombardeio intenso lá".
Fábio Pera

O Itamaraty informou que está monitorando a situação dos brasileiros retidos e prestando assistência consular. No entanto, ressaltou que a evacuação depende da segurança do espaço aéreo e das autorizações diplomáticas dos países vizinhos.

Por enquanto, a orientação é que os cidadãos permaneçam em locais seguros e sigam as instruções das autoridades locais, já que o governo do Catar está garantindo hospedagem e alimentação aos turistas afetados.

Contatos de emergência do Itamaraty

Para brasileiros que enfrentam risco imediato à vida, segurança ou dignidade no Oriente Médio, o Itamaraty disponibilizou os seguintes plantões consulares (disponíveis via telefone e WhatsApp):

  • Embaixada em Doha (Catar): +974 6612 6585
  • Embaixada em Abu Dhabi (Emirados Árabes): +971 50 668 3258
  • Escritório Consular em Dubai: +971 50 134 6209
  • Plantão Consular Geral (Brasília): +55 (61) 98223-0303

FAQ: Como buscar ajuda e voltar ao Brasil

1. Meu voo foi cancelado. O que devo fazer primeiro?

Procure imediatamente a companhia aérea para remarcação ou reembolso. De acordo com a ANAC, passageiros têm direito à assistência material (comunicação e alimentação). Se estiver em zona de conflito, a prioridade é a segurança; procure abrigo antes de tentar resolver questões burocráticas.

2. Como o Itamaraty pode me ajudar a sair do país?

O Ministério das Relações Exteriores presta assistência consular, o que inclui orientação jurídica, emissão de documentos de viagem e interlocução com autoridades locais. Em casos extremos de fechamento de espaço aéreo, o governo monitora rotas alternativas (como por terra ou via Dubai) e avalia operações de repatriação com aeronaves da FAB.

3. Quais documentos preciso ter em mãos?

Certifique-se de que seu passaporte tem pelo menos seis meses de validade. Mantenha cópias digitais de seus documentos em um e-mail ou nuvem de fácil acesso.

4. Existe algum formulário de resgate?

Em crises anteriores, o Itamaraty abriu formulários online para mapear brasileiros interessados em repatriação. Recomenda-se acompanhar os canais oficiais do e os grupos de WhatsApp das embaixadas locais para avisos de prontidão.

5. Posso tentar sair por conta própria por terra?

O Itamaraty desaconselha deslocamentos terrestres em zonas de conflito sem confirmação de que as fronteiras estão abertas e as estradas seguras. O risco de ser confundido com combatentes ou atingido por bombardeios é elevado.

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