MUNDO
Governo proíbe donos de imóveis alugados de despejarem seus inquilinos
Medida impede despejos entre novembro e março para proteger famílias durante o período mais rigoroso do frio

Durante os meses mais frios do ano, quando as temperaturas caem drasticamente, proprietários de imóveis alugados ficam legalmente impedidos de despejar inquilinos neste país europeu. A medida, adotada pelo governo francês, tem caráter social e busca evitar que famílias fiquem sem moradia em um período considerado crítico para a saúde e a sobrevivência.
Conhecida como “trégua invernal” (trêve hivernale), a regra suspende temporariamente ordens de despejo e reforça a proteção a pessoas em situação de vulnerabilidade durante o inverno.
O que é a trégua invernal
A trégua entra em vigor todos os anos no dia 1º de novembro e se estende até 31 de março do ano seguinte. Nesse intervalo, os despejos ficam suspensos, mesmo quando há decisão judicial autorizando a retirada do inquilino do imóvel.
A norma se aplica principalmente a imóveis alugados, mas, em determinadas situações, também pode alcançar ocupações classificadas como irregulares, ampliando o alcance da proteção habitacional.
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Serviços essenciais também ficam garantidos
Além da suspensão dos despejos, a legislação francesa impede que empresas interrompam o fornecimento de água e energia por inadimplência durante o período da trégua. A medida garante condições mínimas de aquecimento, higiene e conforto em um momento em que o frio intenso pode representar riscos à vida.
Com o encerramento da trégua, os despejos voltam a ser permitidos, e os processos judiciais que estavam suspensos seguem seu curso normal.
Proteção social em meio ao inverno rigoroso
Ao impedir despejos e cortes de serviços básicos, a política busca reduzir os impactos do inverno extremo sobre a população mais vulnerável. A iniciativa reconhece que o acesso à moradia, à água potável e ao aquecimento se torna ainda mais essencial quando as temperaturas atingem níveis perigosos.
Apesar de temporária, a medida gera debates entre proprietários e autoridades. Isso porque a trégua não extingue dívidas nem cancela processos judiciais — apenas adia sua execução. Ainda assim, o modelo francês é frequentemente citado como exemplo de política pública que tenta equilibrar o direito à propriedade com a preservação da dignidade humana em períodos críticos.
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