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CRISE CLIMÁTICA

Incêndio histórico destrói floresta de Fontainebleau perto de Paris

Chamas já consumiram mil hectares em meio a onda de calor; França bate recorde de destruição

Redação e AFP
Por Redação e AFP
Um caminhão de bombeiros lança retardante de incêndio na Floresta de Fontainebleau
Um caminhão de bombeiros lança retardante de incêndio na Floresta de Fontainebleau - Foto: THOMAS SAMSON/AFP

Cerca de 800 bombeiros e dois hidroaviões combateram as chamas, nesta segunda-feira, 13, na emblemática floresta de Fontainebleau, localizada nos arredores de Paris. O ecossistema histórico está sendo devastado por um incêndio de grandes proporções que já queimou quase mil hectares, segundo as autoridades locais.

O incêndio começou no domingo em plena onda de calor nesta floresta situada a 60 km a sudeste de Paris, que conta com samambaias e coníferas especialmente inflamáveis. Todos os anos, o famoso bosque recebe cerca de 15 milhões de visitantes.

Na tarde desta segunda-feira, as chamas já tinham consumido "quase 1.000 hectares" dos 23.000 totais da vegetação protetora, informou, durante uma coletiva de imprensa urgente, o diretor-geral da Defesa Civil francesa, Julien Marion.

Mobilização aérea inédita nos arredores de Paris

O encarregado afirmou que o contingente de quase 800 bombeiros segue mobilizado por terra para tentar cercar os focos ativos. Desde o início da manhã, dois hidroaviões Canadair coletaram água diretamente do rio Sena para lançá-la sobre a linha de fogo.

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Outros dois aviões do mesmo tipo se dirigem para o local, segundo confirmou o prefeito do departamento de Seine-et-Marne, Pierre Ory. É a primeira vez que estes aviões pesados de combate a incêndios são utilizados de forma emergencial na região metropolitana de Paris.

Duas aeronaves adicionais do modelo Dash também operam desde o domingo lançando cargas de produtos químicos retardantes, além do suporte de água despejado por helicópteros táticos.

A mobilização espetacular tornou-se ainda mais necessária após ser detectado, no início da tarde, um novo foco de incêndio perigosamente perto da cidade de Fontainebleau, que conta com 15.000 habitantes.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tinha declarado pela manhã que esperava o controle das chamas ainda nesta segunda-feira. No entanto, o prefeito local demonstrou maior prudência diante das condições severas enfrentadas pelas equipes de resgate por conta dos ventos fortes e das altas temperaturas.

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  • Chamas se elevam na Floresta de Fontainebleau após o início de um incêndio florestal no fim da tarde de 12 de julho de 2026. O incêndio que consome a floresta de Fontainebleau, ao sul da região de Paris, é de "magnitude excepcional", afirmou o subprefeito da área.
  • Caminhões de bombeiros abastecem seus tanques com água em uma manobra preventiva enquanto um incêndio florestal consome áreas próximas na floresta de Fontainebleau, nos arredores de Noisy-sur-École, em 13 de julho de 2026.
  • Aeronaves Canadair CL-415 da Defesa Civil francesa realizam manobras de captação de água ao rasar a superfície do rio Sena em Chartrettes, na região de Île-de-France (arredores de Paris), em 13 de julho de 2026, após o incêndio na Floresta de Fontainebleau.
  • Fogo consumindo a vegetação rasteira durante um incêndio florestal na Floresta de Fontainebleau, em Achères-la-Forêt, na região de Île-de-France (arredores de Paris), em 13 de julho de 2026. Equipes de emergência tentam conter o incêndio — possivelmente provocado intencionalmente — que atingiu pelo menos 800 hectares da floresta de Fontainebleau em menos de 24 horas

Moradores em alerta com mochilas prontas

Alguns moradores foram obrigados pelas forças de segurança a deixar suas casas na floresta, normalmente calma e bucólica, mas onde o ar tornou-se quase irrespirável devido à fumaça densa.

Clément Boher, morador de 37 anos de Arbonne-la-Fôret, explicou que sua família entrou em alerta máximo desde que viu imensas colunas de fumaça subindo sobre a vegetação. “Como todo mundo, estamos à espera, com os veículos preparados e uma mochila pronta. O único que podemos fazer é esperar”, desabafou.

A suspeita de uma ação humana criminosa ganhou força. Durante uma visita de inspeção, o ministro Laurent Nuñez apontou indícios preocupantes. "Houve uma coleção de pontos de início de incêndio em um perímetro de 1.000 metros, o que sugere que poderia ser de origem intencional", revelou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, usou os canais oficiais para afirmar que “todos os recursos cabíveis foram mobilizados” no combate ao desastre ambiental.

Destruição recorde antes do pico do verão

“Nunca vi isto em três décadas. Vamos chorar pela nossa floresta”, lamentou Didier Buguinet, vice-prefeito de Le Vaudoué, uma localidade vizinha de 700 habitantes. Diante do perigo iminente, a prefeitura proibiu os agricultores de trabalharem nos campos da região e barrou o acesso da população a todo o maciço florestal.

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Casais locais também relataram momentos de tensão extrema. "Vimos as cinzas cair. A prefeitura e os bombeiros vieram nos dizer para evacuarmos. Enfiamos os gatos e os cães no carro. Víamos o fogo de um lado e do outro", relatou Valérie, de cerca de 50 anos, que teve de deixar a residência acompanhada do marido.

A França enfrenta atualmente sua terceira onda severa de calor desde o fim de maio. Desde o início do ano, os incêndios florestais no país já queimaram impressionantes 32.000 hectares.

“É mais do que em toda a temporada de 2025, apesar de ainda estarmos em 13 de julho”, alertou com gravidade o ministro do Interior. A agência meteorológica Météo-France prevê máximas de até 35ºC nesta segunda e de 36ºC na terça-feira para a região de Fontainebleau.

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