DESDOBRAMENTOS
Líbano e Israel fazem primeiras negociações diretas em mais de 40 anos
O governo dos Estados Unidos atuará como mediador do encontro, a fim de facilitar as negociações com o Irã

Após mais de 40 anos, representantes do Líbano e de Israel devem se reunir nesta terça-feira, 14, em Washington, nos Estados Unidos (EUA) para suas primeiras conversas diretas a fim de encerrar os conflitos que se iniciaram em março deste ano.
O governo dos Estados Unidos atuará como mediador do encontro, a fim de facilitar as negociações com o Irã, que não chegaram a acordo nenhum depois do fracasso em uma reunião realizada no Paquistão durante o fim de semana.
Washington declarou que "a bola está com o Irã" no que diz respeito ao fim da guerra no Oriente Médio, após os Estados Unidos bloquearem a navegação dos portos iranianos no Estreito de Ormuz, que Teerã já havia fechado.
Líbano na guerra com o Irã
O Líbano entrou na guerra iniciada em 28 de fevereiro por Israel e os EUA ao Irã, quando o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah abriu uma frente de combate contra Israel.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.
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O encontro em Washington — o primeiro do tipo desde 1993 — contará com a participação do secretário de Estado Marco Rubio como mediador, ao lado dos embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos.
Contudo, as expectativas de quaisquer avanços significativos são baixas, uma vez que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento das conversas, classificando-as como um ato de "submissão e rendição".
O governo israelense descartou a possibilidade de discutir qualquer cessar-fogo com o movimento pró-iraniano, do qual exige o desarmamento.
O presidente libanês, Joseph Aoun, expressou a esperança de que um acordo de trégua possa ser alcançado e que negociações em grande escala possam ter início entre as duas nações, que, tecnicamente, estão em guerra há décadas.
No terreno, moradores de Beirute manifestaram a esperança de que as conversas tragam um fim à violência. "Estamos extremamente cansados", disse Kamal Ayad, de 49 anos. "Já vivemos muitas guerras e queremos descansar."
Bloqueio no Estreito de Ormuz
Enquanto a reunião entre Israel e o Líbano concentrava a atenção em meio à tensão entre os países no Oriente Médio, ontem, 13, os EUA ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz e a afundar qualquer embarcação que tentasse entrar ou sair do caminho marítimo.
Desde a eclosão da guerra, o Irã restringiu drasticamente a passagem por este estreito, por onde em condições normais transitam aproximadamente 20% do petróleo e do gás mundiais.
O comando militar iraniano classificou o bloqueio como um ato de pirataria e alertou que, se a segurança de seus portos "for ameaçada, nenhum porto no Golfo ou no Mar Arábico estará seguro".
Segundo analistas, Trump está tentando privar o Irã de recursos financeiros, mas também impulsionar Pequim — o maior comprador de petróleo iraniano — a exercer pressão sobre Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz.
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