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VIZINHO GELADO

O que há lá? A misteriosa descoberta de um mundo idêntico ao nosso fora do Sistema Solar

HD 137010 b é ligeiramente maior que nosso planeta, mas pode ser mais frio que Marte

Rodrigo Tardio
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Imagem ilustrativa da imagem O que há lá? A misteriosa descoberta de um mundo idêntico ao nosso fora do Sistema Solar
Foto: NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)

Uma reanálise de dados do telescópio espacial Kepler, da Nasa — desativado em 2018 —, revelou a existência de um novo candidato a exoplaneta com características que intrigam a comunidade científica.

Localizado a cerca de 146 anos-luz de distância, o HD 137010 b orbita uma estrela semelhante ao Sol e possui dimensões próximas às da Terra, mas as semelhanças param por aí quando o assunto é clima.

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De acordo com o estudo liderado por Alexander Venner, do Instituto Max Planck de Astronomia, e publicado nesta terça-feira, 27, no The Astrophysical Journal Letters, o planeta está situado na borda externa da zona habitável.

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Essa região é onde a distância entre o planeta e sua estrela permite, teoricamente, a existência de água líquida. Contudo, o HD 137010 b recebe menos de um terço da energia que a Terra recebe do Sol, resultando em uma temperatura superficial estimada de -68 °C — marca inferior à média de Marte (-65 °C).

Um "tesouro" em dados antigos

A descoberta ocorreu a partir de um único evento de "trânsito", quando o planeta passa à frente de sua estrela, bloqueando parte da luz, registrado durante a missão K2. O evento durou cerca de 10 horas, tempo suficiente para que os pesquisadores inferissem o tamanho e a órbita do corpo celeste.

"Caso seja confirmado, o HD 137010 b pode se tornar o primeiro planeta semelhante à Terra detectado transitando uma estrela do tipo solar próxima e brilhante o suficiente para permitir estudos atmosféricos detalhados", afirmam os pesquisadores no artigo.

Incertezas

Apesar do entusiasmo, a equipe mantém a cautela. Como a detecção baseou-se em apenas um trânsito, a confirmação definitiva depende de novas observações. Os cálculos atuais indicam que há 51% de chance de o planeta estar na zona habitável em uma definição ampla, mas também cerca de 50% de probabilidade de ele estar totalmente fora dessa região.

O estudo é fruto de um esforço internacional, unindo dados históricos de tecnologia espacial com modelos matemáticos modernos para mapear a vizinhança cósmica do Sistema Solar.

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Tags

ciência planetária exoplanetas HD 137010 b observações astronômicas telescópio Kepler zona habitável

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