DESGASTE
Presidente da Corte Suprema da Bolívia deixa país após perseguição
Saucedo justificou exílio voluntário ao ser alvo de hostilidade por contestar as autoridades


O titular do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, comunicou nesta quarta-feira, 4, a saída do território nacional.
Em um manifesto divulgado nas redes sociais, o magistrado afirmou que tomou a decisão após avaliar que a integridade física e a dos familiares estão sob ameaça, responsabilizando o Poder Executivo por tentar erguer uma acusação fraudulenta para prejudicar a reputação.
Saucedo justificou o exílio voluntário declarando-se alvo de hostilidade estatal por contestar as autoridades no poder.
De acordo com o líder do Judiciário boliviano, os direitos fundamentais no país foram suprimidos, transformando a máquina judiciária em um instrumento de punição coercitiva contra vozes dissonantes, recorrendo inclusive ao uso de pistoleiros e homicídios encomendados.
Desgaste
O desgaste público entre Saucedo e o Executivo liderado pelo presidente Rodrigo Paz arrasta-se há meses.
Em julho, o juiz ameaçou convocar uma paralisação das atividades judiciais em protesto contra os repasses orçamentários ao setor.
A crise culminou na entrega formal da renúncia ao comando do tribunal no dia 15 de outubro — com efeitos previstos para janeiro de 2027 —, embora tenha reiterado que permanecerá no cargo de magistrado.
Até o momento, os veículos globais de imprensa confirmam a inexistência de inquéritos formais ou acusações criminais registradas contra o jurista.
Prevendo desdobramentos operados nos bastidores, Saucedo sustentou que, mesmo partindo sem pendências legais, fraudes probatórias estão sendo gestadas para incriminá-lo nos próximos dias.
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Postura provocou atritos
No texto, o magistrado ressaltou que a postura crítica já provocava atritos durante a gestão anterior de Luis Arce (2020-2025), desdobrando-se agora em uma investida coordenada pelo atual governo.
Como sinal do agravamento da violência institucional, ele citou a morte de Víctor Hugo Claure, decano do Tribunal Agroambiental executado a tiros em 30 de abril — crime que permanece sem solução definitiva após o processo ser colocado sob sigilo sumário.
Para o titular do TSJ, Claure foi eliminado por confrontar esquemas ilícitos, e a falta de desfecho caracteriza cumplicidade governamental.
Saucedo pontuou que optou pela saída preventiva para não ter o mesmo destino, prevendo retornar ao país apenas quando houver garantias plenas de segurança e liberdade.
A partida ocorre poucas semanas após Saucedo dividir palanque com o presidente Rodrigo Paz durante a sanção de um texto legislativo que destina ao Poder Judiciário os depósitos judiciais não resgatados no prazo de cinco anos.


