TECNOLOGIA E GUERRA
Rússia inclui criador do Telegram em lista de extremistas e bloqueia bens
Serviço secreto russo alega que aplicativo é usado por agentes ucranianos para sabotagem


A Rússia incluiu o fundador do Telegram, Pavel Durov, em uma lista oficial de “terroristas e extremistas” nesta quinta-feira, 30. A medida ocorre dias após o país emitir um mandado de prisão internacional contra o empresário.
Moscou acusa Durov de permitir que os serviços de inteligência da Ucrânia utilizem o aplicativo para operações de espionagem e recrutamento em seu território.
Durov, que vive fora da Rússia há anos e possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos, acumula embates históricos com o Kremlin na medida em que o governo intensifica o controle sobre a internet.
Com a inclusão do nome do executivo no registro do Rosfinmonitoring, órgão de supervisão financeira do país, Durov fica proibido de realizar transações bancárias e comerciais dentro do território russo.
Bilionário é caçado por agência de segurança
O Serviço Federal de Segurança (FSB) confirmou o início do processo de busca internacional contra o bilionário de 41 anos, embora não haja garantias de cooperação por parte de outros países.
O governo russo costuma utilizar enquadramentos de "extremismo" para congelar bens e sufocar opositores políticos e empresários que deixaram o país:
- Inclusão na lista negra: bloqueio imediato de contas, bens e operações financeiras em solo russo;
- Mandado internacional: tentativa de acionar a Interpol e agências externas para capturar o executivo;
- Recusa de entrega de dados: histórico de recusa do Telegram em fornecer chaves de criptografia das conversas ao governo.
Leia Também:
Para justificar a inclusão no cadastro, o FSB alegou que o aplicativo se recusou a deletar um bot de encontros supostamente operado pela inteligência ucraniana para atrair jovens russos para atividades de sabotagem.
O Telegram se consolidou como uma das principais plataformas de informação do país, frustrando tentativas do Kremlin de migrar a população para redes estatais não criptografadas.
Durov ainda não comentou publicamente as acusações das autoridades russas. O empresário já havia enfrentado problemas jurídicos na França em 2024, quando foi detido sob acusações ligadas à moderação de conteúdos ilícitos no aplicativo, sendo liberado após pagamento de fiança.


