Busca interna do iBahia
HOME > MÚSICA

LUTO

Comunidade LGBT lamenta morte de Dolly Parton: “Uma diva”

Estrela da música country, cantora morreu aos 80 anos na terça-feira, 25

Edvaldo Sales
Por
Estrela da música country, cantora morreu aos 80 anos na terça-feira, 25
Estrela da música country, cantora morreu aos 80 anos na terça-feira, 25 - Foto: AFP

A cantora e compositora Dolly Parton, estrela da música country, morreu aos 80 anos na terça-feira, 25, e deixou uma legião de fãs e admiradores, incluindo a comunidade LGBTQIAPN+ dos Estados Unidos.

Cameron Austin vestiu um traje completo de caubói, com botas combinadas, para tomar uma bebida enquanto ‘When I'm Gone’, de sua “diva” Dolly Parton, ecoava pelos alto-falantes em um bar gay de Washington.

Tudo sobre Música em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

“Não cresci ouvindo muitos dos ícones gays em que normalmente pensamos, mas ela é quem esteve comigo desde o início”, disse o jovem de 28 anos, natural do leste do Tennessee, durante uma festa em homenagem à artista. “Dolly sempre esteve presente para mim”, acrescentou.

Parton se tornou uma rara figura capaz de unir um Estados Unidos profundamente polarizado. Seu legado é celebrado tanto pela Casa Branca de Donald Trump quanto, sobretudo, pelos bares gays do país.

Na artista, conhecida pelos figurinos cobertos de pedrarias, muitas pessoas gays e lésbicas viram uma aliada suspeita, mas firme, que defendeu sua dignidade e seus direitos muito antes de isso se tornar popular.

À AFP, Austin disse que ela desafiou as expectativas de muitas maneiras. “Acho que, quando muitos de nós temos famílias com as quais talvez não tenhamos as relações, que podem ser sulistas ou religiosos, ver alguém melhor que vem esses mesmos lugares e nos aceita, nos faz desejar algo que talvez nunca tenhamos tido”, falou.

Leia Também:

LUTO

Dolly Parton morre aos 80 anos e deixa legado histórico na música
Dolly Parton morre aos 80 anos e deixa legado histórico na música imagem

FATURAMENTO ROBUSTO

Ana Castela recebeu quase R$ 1 milhão por show em cidade de 3 mil habitantes
Ana Castela recebeu quase R$ 1 milhão por show em cidade de 3 mil habitantes imagem

NOVIDADE

Artistas de diferentes gêneros reinventam clássicos de Chico Buarque
Artistas de diferentes gêneros reinventam clássicos de Chico Buarque imagem

Carinho especial pela comunidade

Dolly Parton nunca planejou se tornar um ícone gay, mas abraçou plenamente o papel e demonstrou um carinho especial por artistas drag. Certa vez, ela se inscreveu discretamente em um concurso de imitadoras de drags de Dolly Parton e perdeu.

“Simplesmente entrei na fila e atravessei o palco, e eles acharam que eu era um baixinho gay. Fui a que recebeu menos aplausos”, relatou a cantora, rindo, à ABC News em 2012. “Por dentro, eu estava morrendo de rir”, acrescentou.

Lançada em 1991, sua música ‘Family’, defendia explicitamente a tolerância à diversidade em uma época em que a crise da Aids devastava e estigmatizava a comunidade LGBTQIAPN+.

Em contraste com sua exuberante imagem pública, Parton era extremamente reservado sobre outros temas da política cotidiana, em consideração aos fãs de diferentes posições políticas.

Ela expressou, entretanto, sua defesa dos direitos da comunidade LGBT. “Acho que sempre fui aceito pela comunidade gay porque eu os aceito”, disse Parton certa vez à CNN.

A cantora seguiu: “Eles sabem que não os julgam. Acho que as pessoas são quem são, e eu não sou Deus, não sou juíza. Devemos amar uns aos outros exatamente por quem somos e pelo que somos”.

Nadine Hubbs, professora de estudos sobre mulheres e gênero e de música na Universidade de Michigan, afirmou que a formação religiosa de Parton moldou sua postura acolhedora em relação à comunidade LGBTQ, em vez de afastá-la dela.

Hubbs contou à AFP que o avô dela era um pastor pentecostal, “e ela cresceu cantando na igreja e sempre falou de forma muito clara sobre sua fé”.

A professora explicou que “Dolly mostrou como era possível não apenas amar e aceitar a si mesmo e aos outros, mas fazer isso dentro de uma perspectiva profundamente cristã”, algo que tinha um apelo particular no sul do país, uma região profundamente religiosa.

Além disso, Parton tratou o tema com bom humor. Em uma participação em um programa de televisão noturno em 2019, ela adaptou a famosa letra de sua música ‘Jolene’ para ‘Drag queen! Drag queen!’.

Já em 2023, quando políticos do Texas tentaram criminalizar muitas apresentações drag, Parton apoiou um artista que combatia a proposta.

Brigitte Bandit, uma drag queen de 34 anos de Austin, que pediu para ser identificada apenas pelo nome artístico, levou um livro infantil sobre Parton ao Capitólio estadual do Texas, onde prestou depoimento contra o projeto de lei.

“Senti que aquilo tinha tudo a ver comigo como drag queen e, por isso, levei o livro quando fui depor”, disse Bandit à AFP.

Depois, Parton providenciou discretamente para que Bandit fosse surpreendido com um violão personalizado, decorado com pedrarias e com as palavras: “Para Brigitte, com amor, Dolly”.

Para Bandit, Parton é “uma diva”. Ele falou ainda que esperava que as pessoas “reservassem um minuto para ouvir sua mensagem e fossem um pouco mais como Dolly”.

*Com informações da AFP

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

cantora música

Relacionadas

Mais lidas