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CULTURA

Festival da Primavera reúne shows e atrações gratuitas em Salvador

Projeto ocupa o Largo da Tieta, no Pelourinho, com shows de diferentes gerações e estilos musicais

Manoela Santos*
Por Manoela Santos*
Cantora Flaviana
Cantora Flaviana - Foto: Divulgação

No Pelourinho, diferentes gerações vão dividir o mesmo espaço ao som de música brasileira, ritmos latinos, samba, bolero, rock, axé e grandes clássicos. Isso porque o projeto LARGO - Todo mundo cabe vai transformar o Largo da Tieta em um grande ponto de encontro musical durante o Festival da Primavera.

Na sexta-feira, 25, Paulinho Boca de Cantor se apresenta às 20h, seguido pelo encontro entre Eric Assmar e Armandinho, às 22h. No sábado, 26, às 19h, Flaviana apresenta “Os Jorges”, enquanto Joanna sobe ao palco às 21h.

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Já no domingo, 27, o Largo da Tieta recebe o Baile da Cidade, a partir das 16h, com cinco orquestras em sequência. O som vai rolar até as 21h.

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Memória e trajetória

A programação começa na sexta-feira, 25, às 20h, com Paulinho Boca de Cantor. O show é inédito e integra as comemorações dos 80 anos do artista, que percorre diferentes fases de sua carreira, incluindo momentos dedicados aos Novos Baianos, em apresentação com pegada mais pop rock.

“Esse show tem um gosto muito especial exatamente por isso. Porque passeio por um repertório que acompanha minha trajetória e faz parte da vida de gerações que se sucedem e acompanham nosso trabalho”, afirma Paulinho.

Com mais de seis décadas de carreira, o cantor também destaca a relação afetiva com o espaço.

“Cantar para o público da minha terra é sempre especial. No Pelourinho então, eu sempre me emociono. São lembranças inesquecíveis de momentos marcantes nesse espaço que nos remete à ancestralidade, à alma da Bahia”, conta. Depois de Salvador, o artista segue com o show dos 80 anos por outras cidades.

Os Jorges no Pelourinho

No sábado, 26, às 19h, é a vez de Flaviana, ex-integrante do grupo As Meninas, apresentar o espetáculo “Os Jorges”, dedicado às obras de Jorge Aragão, Jorge Vercillo, Jorge Ben Jor e Seu Jorge. A cantora e sua equipe prepararam um repertório de músicas que, apesar de partirem de estilos distintos, encontram pontos em comum em mensagens como “alegria, amor, esperança, resistência e fé”.

A artista destaca a admiração pelos quatro artistas homenageados. “Além da versatilidade musical desses grandes e maravilhosos artistas, a qualidade da obra que fez e faz histórias até hoje na vida das pessoas... Eu sou muito admiradora deles desde sempre.”

A proposta do projeto de reunir diferentes gerações também encontra espaço no repertório escolhido pela cantora. Para Flaviana, a presença de artistas de diferentes momentos da música brasileira reforça essa aproximação.

Ela cita ainda que, segundo os dados, jovens de 18 a 24 anos representam cerca de 25,1% dos ouvintes de música popular brasileira e que Seu Jorge está entre os dez artistas mais ouvidos. “Então, essa conexão só potencializa a nossa cultura musical brasileira”, completa.

Para a cantora, apresentar o projeto no Pelourinho, em sua cidade, tem um significado particular. “Além do celeiro musical, da estrutura geográfica e histórica, tem a minha ancestralidade e fé”, afirma.

Flaviana espera que a apresentação deixe no público uma memória afetiva. “Quero que meu público saia com o coração cheio de amor, alegria, esperança e colecione boas lembranças desse dia. Afinal música é arte, poesia, terapia, conexão e amor”

Baile com cinco orquestras

O encerramento da programação acontece no domingo, 27, com o Baile da Cidade, das 16h às 21h. A tarde começa com a Orquestra de Câmara de Salvador, sob regência do maestro Angelo Rafael, que apresenta “Uma Viagem Latina”.

O repertório reúne compositores brasileiros e latino-americanos e inclui obras como “Um Pedacinho do Céu”, “Lamento Sertanejo” e “Mourão”, de Guerra-Peixe.

Segundo Angelo Rafael, a escolha do repertório nasceu do interesse em explorar a pluralidade da música brasileira e sua relação com a latinidade. “Há tempos que eu tenho pensado em realizar um concerto latino com a Orquestra de Câmara de Salvador e este é o primeiro experimento nessa linha”, explica.

Para o maestro, o público poderá perceber como obras diferentes podem se completar durante a apresentação.

A apresentação também terá participação da cantora Cláudia Cunha, que interpreta boleros nacionais e obras de nomes como Gonzaguinha, Tom Jobim e Chico Buarque. A participação de Cláudia Cunha surgiu de um desejo antigo de parceria entre os dois artistas. “Nos prometemos então fazer um trabalho juntos, mas nossas agendas e momentos profissionais nunca coincidiam”, conta Angelo.

O encontro finalmente ganhou forma quando os dois se reencontraram em um show de amigos e descobriram uma afinidade pelo repertório de boleros. “Então, deu certinho tal qual a tampa e a panela”, brinca.

Depois da Orquestra de Câmara de Salvador, o Baile da Cidade segue com a Orquestra do Maestro Zeca Freitas, às 17h15; Orquestra Sergio Benutti, às 18h30; Orquestra Paulo Primo, às 19h45; e Orquestra Fred Dantas, às 21h.

Os grupos apresentam repertórios que passam por samba, jazz, bolero, salsa, bossa nova, música internacional, MPB e axé music.

Para Angelo, a diversidade das formações reforça a proposta do evento. “Uma orquestra é o organismo musical mais democrático e inclusivo que existe, pois nela cabem todos os tipos de instrumentos, incluindo a voz cantada/falada”, afirma.

A programação, diz ele, reúne diferentes repertórios, instrumentações, estéticas e maestros com um objetivo comum: proporcionar ao povo “momentos de alegria, fruição, dança e entretenimento para todas as gerações”.

LARGO - Todo mundo cabe

  • Quando: de sexta-feira, 25, até domingo, 27
  • Onde: Largo da Tieta (Pelourinho)
  • Gratuito

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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