POLÊMICA
Sem Safadão? Cachês fora de controle no São João acendem alerta na Bahia
Em 2025, Wesley Safadão, Simone Mendes e João Gomes despontaram entre as atrações mais caras

Por Edvaldo Sales

Todos os anos, os cachês milionários pagos a artistas no São João na Bahia movimentam tanto os bastidores da música quanto os debates sobre os gastos públicos com entretenimento.
A crescente elevação dos custos para a realização dos festejos juninos levou os prefeitos baianos a defenderem a abertura de diálogo com os órgãos de controle para a definição de recomendações e critérios que orientem a contratação de atrações artísticas.
O tema foi debatido durante um encontro, que reuniu cerca de 15 gestores baianos, na terça-feira, 20, na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.
O presidente da UPB, Wilson Cardoso, destacou a preocupação dos gestores com a disparidade nos valores cobrados por artistas e produtoras, além do impacto da inflação sobre a estrutura dos eventos, como palcos, sonorização e iluminação. Segundo ele, a criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais.
“Precisamos buscar uma reunião com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas dos Municípios e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela para os municípios, principalmente os menores. Acho que está na hora de tabelar”, destacou Wilson.
Além disso, o presidente da UPB citou como exemplo as diferenças de valores pagos por um mesmo artista em cidades vizinhas, o que, segundo ele, evidencia a necessidade de critérios mais claros.
“Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e o município vizinho pagar R$ 400 mil pela mesma atração. Isso não é legal e não pode continuar acontecendo”, declarou.
A UPB pretende agora articular reuniões com o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para discutir alternativas que garantam transparência, equilíbrio fiscal e a continuidade dos festejos juninos, preservando uma das tradições culturais mais importantes da Bahia e do Nordeste.
Leia Também:
Cachês mais altos de 2025 na Bahia
Em 2025, Wesley Safadão, Simone Mendes e João Gomes despontaram entre os nomes mais contratados na Bahia, e também entre os mais caros do São João na Bahia. Segundo o Painel de Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), Wesley Safadão liderou com folga o ranking de valores pagos, cobrando até R$ 1,1 milhão por show.
Simone Mendes apareceu logo atrás, com um cachê que chega a R$ 800 mil por apresentação. Já João Gomes, fenômeno do piseiro e um dos artistas mais queridos do público jovem, figurou na terceira posição entre os três, com cachês de até R$ 500 mil.
A diferença nos valores revela não apenas a disparidade nas negociações, mas também diferentes estratégias de mercado: enquanto Safadão aposta em poucos e milionários contratos, João Gomes parece optar por maior volume de shows com cachês mais acessíveis. Simone, por sua vez, mantém-se em um meio-termo, conciliando alto valor com forte presença no circuito junino.
Os 10 artistas com os maiores cachês do São João 2025:
1º - Wesley Safadão
Valor: R$ 1,1 milhão
2º - Nattan
Valor: até R$ 900 mil
3° - Zé Neto e Cristiano
Valor: R$ 804 mil
4º - Simone Mendes
Valor: até R$ 800 mil
5º - Ana Castela
Valor: R$ 800 mil
6º - Leonardo
Valor: até R$ 750 mil
7º - Alok
Valor: R$ 750 mil
8º - Natanzinho Lima
Valor: até R$ 700 mil
9º - Xand Avião
Valor: R$ 700 mil
10º - Bell Marques
Valor: R$ 700 mil
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes



