ROCK BAIANO
The Dead Billies sobre volta: "Renascemos num palco agora, como três coroas"
Lenda do rock baiano, The Dead Billies anuncia retorno e show em outubro


“Quem é morto sempre aparece” – eis aí um slogan perfeito para anunciar a volta de uma das bandas mais marcantes do rock baiano, The Dead Billies. O retorno foi anunciado na última sexta-feira, 14, em uma live com direito a pocket-show, transmitida direto do palco da casa Red Star, em São Paulo, com o imortal Clemente Nascimento (Inocentes) de mestre de cerimônias.
Anunciada na semana passada com um enigmático flyer postado no Instagram dos integrantes, a live suscitou muita especulação, mas, finalmente, o segredo mais bem guardado do rock local foi divulgado: ao trio original Morotó Slim (guitarra), Joe Tromondo (baixo) e Rex Crotus (bateria), junta-se o novo vocalista, o potiguar de nome russo Dastaev, revelado na banda de rockabilly Dasta & The Smokin' Snakes.
E o primeiro show já tem data e local: 31 de outubro (no rélouin baiano), no Largo da Tieta, Pelourinho.
Em clima de emoção – Rex quase chorou no palco durante o bate-papo com Clemente –, a banda apresentou o novo cantor – dono de um vozeirão, muito digno de calçar os sapatos anteriormente ocupados pelo grande Moskabilly, cantor original – e tocou algumas músicas clássicas: Monster Potion Number 9, Attack of The Body Snatchers, Vampire e outras.
Ontem, ainda de ressaca no quarto do hotel em São Paulo, Morotó contou ao jornal A TARDE de sua felicidade com a volta à banda, desativada desde 2001: “Ontem foi muito lindo, muito emocionante tocar com esses caras de novo depois de 25 anos sem ter essa química, né. Porque o Dead Billies é um troço que funciona bem porque tem aquela química que faz uma banda ser uma BANDA, quando estamos eu, Rex e Joe, tudo fica muito foda porque estamos juntos”, diz o guitar hero.
“E agora com a entrada de Dastaev, porra velho, foi do caralho, porque era um cara diferente fazendo do jeito dele – e sendo muito incrível”, elogia Morotó.
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Conexão via selo

A aproximação com o novo cantor se deu quando o primeiro disco dos Billies, Don’t Mess With..., foi relançado em LP pelo selo Neves Records, o mesmo da banda de Dastaev. "Quando ouvi o disco (do Dastaev), não acreditei que fosse uma banda brasileira e fiquei muito surpreso com os vocais de Dasta. É muito difícil encontrar bons vocalistas que tenham familiaridade com o que fazemos. Dasta foi um achado e tanto", conta Rex.
Dastaev, por sua vez, alguns anos mais jovem que os Billies, conta que o convite tem um significado especial: “O The Dead Billies também faz parte da minha memória afetiva e formação artística. Quando eu estava começando a fazer banda, eles me mostraram que dava para fazer rockabilly do nosso jeito, sem ficar preso a certas 'regras'. Então, ser convidado para assumir os vocais é, antes de qualquer coisa, uma grande honra”
Engana-se, porém, que se trata de mais uma mera volta caça-níqueis. Na live, os membros prometeram álbum novo com material inédito – chegaram mesmo a afirmar ter material para dois discos cheios.
“Ah, velho, que alegria. Foda a gente renascendo como o Benjamin Button, né? Renascemos num palco agora, como três coroas”, comemora Morotó. Bem-vindos sejam.
Night of the Living Dead Billies / 31 de outubro / Largo da Tieta (Rua Alaíde do Feijão, Pelourinho) / Ingressos: a partir de R$ 60 / Vendas: Sympla / Classificação: 18 anos


