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A doença e o sintoma

Confira o Editorial deste domingo

Redação
Por Redação
Imagem ilustrativa da imagem A doença e o sintoma
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os números do Painel da Judicialização da Saúde do Conselho Nacional de Justiça conferem à Bahia a maior quantidade de ações relacionadas ao reajuste de planos. A liderança nos processos judiciais impõe a busca de explicação plausível, diferente de um sinal de excessiva litigância, pois esta é efeito em vez de causa.

Ao contrário, ela revela uma realidade preocupante: quando o consumidor esgota as vias de diálogo com as operadoras, o Judiciário é o caminho. O cenário expõe a fratura de um modelo econômico movido à margem de lucro, com a agravante de a movimentação financeira tornar-se absurda prioridade.

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Esta hierarquia denuncia a falência dos valores morais, pois sem a necessária confiança, perdem-se a previsibilidade, a proteção e o acesso rápido à assistência.

Quando se depara com aumentos extorsivos, explicações desprovidas de lógica ou negativas de cobertura, o cidadão tem a sensação de trapaça.

É possível supor o enfrentamento de custos crescentes, maior demanda e gastos com tecnologia por parte das operadoras, mas os repasses precisam de freio. As duas palavras-chave, sem as quais nenhuma relação saudável se sustenta, são equilíbrio e razoabilidade, ausentes até de uma simples explicação dos aumentos.

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O usuário tem o direito, ao menos, de saber se há fortes razões para aceitar a mecânica da incessante engorda da mensalidade em escalada rumo ao infinito. Nesse contexto, a elevada judicialização não representa a origem do problema, mas sua consequência devido ao desconhecimento dos métodos administrativos.

A solução paliativa para reduzir conflitos passa por fortalecer a regulação, ampliar a fiscalização e aperfeiçoar os canais de entendimento entre operadoras e usuários. Enquanto reajustes abusivos conduzem milhares de pessoas aos tribunais, a judicialização seguirá refletindo a grave contradição do conflito de interesses.

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