EDITORIAL
Imposto saudável
Alíquotas do imposto seletivo prometem desonerar hospitais e frear o consumo de produtos nocivos
Sabendo-se o quanto são potencialmente danosos as bebidas alcoólicas, os refrigerantes e os cigarros, uma maneira inteligente de combater o abuso é o imposto seletivo. O desestímulo ao consumo depende de definição das alíquotas pelo Congresso, transformado em ringue simbólico onde equipes de saúde enfrentam as forças do cifrão.
A sábia articulação terá seus primeiros efeitos já em 2027, convergindo a mecânica de mercado, com preços mais altos, e as recomendações dos médicos para conter doenças. Por tabela, o governo arrecada mais, além de desonerar hospitais, alcançando a benfazeja medida veículos poluentes, atividades mineradoras, loterias, apostas e jogos.
Quem não curtiu foi o investidor, tanto o industrial como o varejista, restando levar em conta fortemente a migração para o mundo verde, no qual as mercadorias fazem bem. A medida aguçou olhares distintos: quem lê a vida por viés humanista está feliz porque óbitos serão adiados; quem tem obsessão por números, vê desemprego e falências.
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Mesmo estes afeiçoados aos algarismos podem, no entanto, relevar seu pessimismo: o consumo de álcool custou, no levantamento anual mais recente, 1 bilhão em tratamento. O peso maior foi para a rubrica perda de produtividade, licenças, aposentadorias compulsórias, falta ao trabalho por internação e afastamento médico previdenciário: 17,7 bi.
Não entra no prontuário eletrônico o preço da dor do sofrimento provenientes de cirroses, pancreatites, diabetes, cânceres, acidentes vasculares e os males mais variados. Tampouco os tecnoburocratas encontraram algum teorema, desde Pitágoras, para quantificar a influência das adições no comportamento, causando conflitos e mortes.
Queixam-se os produtores de vinho, destilados, cerveja, cachaça, refrigerantes e cigarros, e com toda razão, devido à ameaça de reduzir suas margens de lucros. No primeiro momento de adaptação, é possível admitir alguma perda, mas logo, logo, saberão, com o apoio do governo, encontrar um meio de ajustar as vendas.