EDITORIAL
O caráter do Brasil
Confira o editorial deste domingo, 18


No próximo domingo, é eleição: o calendário reserva os momentos decisivos da campanha, os últimos debates em forma de duelo, tendo a palavra como arma. São as derradeiras oportunidades do eleitor em movimento dialético, pois o voto atua em espiral, voltando para a cidadania, sob impacto da proposta vencedora.
A liberdade da escolha vem carregada de seu modo de ser - a angústia da incerteza proveniente de necessária equidistância entre os candidatos à Presidência. Esgota-se o tempo de memes, cortes descontextualizados, enquetes de WhatsApp, embora possa subsistir algum erro moral.
Uma das sementes do mal, aqui denunciada, é o convite de votação paralela em sites, projetando futuras acusações falsas de fraude. O voto válido é o do TSE.
Os pontos do primeiro turno são excluídos; agora, do zero, é a vez do confronto direto, o clássico Lula x Flávio, Flávio x Lula, em mata-mata civilizadamente simbólico.
Leia Também:
Percebe-se uma característica do pleito: o perfil de plebiscito, se queremos ou não continuar com a democracia. A propaganda eleitoral, as entrevistas, o currículo e o comportamento dos contendores expõem o antagonismo de pólos inconciliáveis.
Trata-se, de um lado, da proposta de projetos sociais, respeito à Constituição e aos direitos civis e princípios humanitários, com redução de danos para a maioria. Do outro, o viés autoritário ganha o entusiasmo de quem tem orgulho de dizer-se conservador, desdobrando nos riscos de ditadura, desta vez legitimada nas urnas.
No meio da disputa pelo poder, aquele responsável por cobrar o penal em forma de voto, o eleitor, exposto ao infinito de interpretações. Ao votar em modelo de aparente austeridade, fica a cidadã e o cidadão avisados da impossibilidade de depois dizer “ai, Jesus!” quando vierem as consequências.
Nestes sete dias, faça sua parte: informe-se por fontes confiáveis, assista aos debates, compare propostas, converse em casa, no trabalho, na escola e na rua. E preste muita atenção para escolher o Brasil mais parecido com seu caráter.


