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Ônibus, voto e democracia

Confira o Editorial desta terça-feira

Redação
Por Redação
Ônibus na garagem
Ônibus na garagem - Foto: Manu Dias | GOVBA

Democracia depende de garantia concreta de acesso. Sem transporte, o direito ao voto vira abstração, sobretudo para os com menor renda. A boa gente da periferia, usuária diária do coletivo, só consegue ir à urna distante de transporte. Mesmo com fé, ir a pé é desafio.

Decisão do TRE-BA, ao exigir frota em circulação e fixar multa milionária em Salvador, afirma princípio simples: o serviço é necessário, dele depende a votação. Transporte integra rol de direitos com impacto direto sobre participação cidadã, livre locomoção e igualdade de condições para exercício de cidadania.

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Falta de ônibus na capital e outras cidades no domingo de eleição liga sirene em altos decibéis. Episódio absurdo de prejuízo: a logística vira exclusão. Relatos de garagens cheias, veículos parados, intervalos longos, gerando filas, atrasos, desistência. Todo o povo é testemunha; o prefeito preferiu interpretar os fatos. Intervalos longos, gerando filas, atrasos, desistência. Todo o povo é testemunha; o prefeito preferiu interpretar os fatos.

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A Justiça Eleitoral agiu, ao pedir apuração rigorosa, inclusive com atuação da Polícia Federal para verificação de frota, planilhas e ordens de serviço. Pedido de prisão de gestor, depois anulado pelo próprio TRE-BA, mostra tensão institucional, mas também flacidez na defesa de pleito livre, isonômico, acessível.

Garantir ônibus é garantir escolha, é respeito a direitos pessoais e coletivos, base de convívio democrático, fundamento constitucional. Significa compreender transporte como elo de casa e seção eleitoral, entre cidadania e direito de decidir. Qualquer entrave artificial é inaceitável.

A ameaça à democracia surge, muitas vezes, em gesto administrativo aparentemente técnico, em planilha de frota, em escala de motoristas. Cabe vigilância permanente, sanção proporcional, compromisso público com circulação plena, informação clara sobre linhas, gratuidade onde couber e fiscalização efetiva em dias de votação. Democracia forte circula de ônibus. Uma possível malícia intencional deve ser investigada, e os autores exemplarmente punidos.

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