CRIME
Brasileira presa nos EUA diz que chefe matou a esposa para ficar com ela
Juliana trabalhava como babá para a família Banfield e manteve um relacionamento amoroso com o patrão

Por Leilane Teixeira

Após mais de um ano sem prestar esclarecimentos às autoridades, a brasileira Juliana Peres Magalhães decidiu colaborar com a Justiça e apontou o ex-patrão e amante, Brendan Banfield, como mentor de um plano que terminou em um duplo homicídio nos Estados Unidos.
Em depoimento recente, Juliana afirmou que resolveu falar porque não conseguia mais conviver com o peso emocional do caso. Segundo a Associated Press, ela disse em juízo que queria “que a verdade viesse à tona”.
Banfield responde pelo assassinato da esposa, Christine Banfield, e de Joseph Ryan, um homem que teria sido atraído a uma emboscada. Ele nega as acusações e, se condenado, pode receber pena de prisão perpétua.
Relação extraconjugal e acusação central
Juliana trabalhava como babá para a família Banfield e manteve um relacionamento amoroso com o patrão. De acordo com o depoimento, o envolvimento teria evoluído para um plano para eliminar Christine Banfield e permitir que o casal ficasse junto.
A brasileira afirmou que o esquema foi pensado ao longo de meses e incluiu tentativas de criação de álibis e manipulação de provas.
Como as mortes teriam sido armadas
Segundo o relato apresentado no tribunal, Juliana e Banfield criaram um perfil falso em uma rede social voltada a fetiches sexuais, usando o nome de Christine Banfield. Foi por meio dessa conta que Joseph Ryan teria sido atraído para a residência do casal.
O encontro, conforme a acusação, foi combinado com a menção ao uso de uma faca. Ao chegar ao local, Ryan teria sido morto a tiros. Em seguida, o cenário foi montado para simular que ele havia atacado Christine Banfield, que também acabou assassinada.
Em juízo, Juliana descreveu o impacto psicológico da farsa. Disse que carregava sentimentos de vergonha, culpa e tristeza desde o crime.
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Mudança de postura e acordo judicial
Inicialmente, a ex-babá permaneceu em silêncio e foi denunciada por homicídio em segundo grau pela morte de Ryan. Posteriormente, após negociar com a promotoria, declarou-se culpada de homicídio culposo, com a acusação rebaixada.
A decisão de colaborar ocorreu poucos dias antes do início de seu próprio julgamento. A promotoria considera o depoimento peça central no processo contra Banfield.
Defesa tenta fragilizar depoimento
Durante a audiência, o advogado de Banfield, John Carroll, questionou a credibilidade de Juliana e tentou apontar inconsistências. Ele a pressionou sobre detalhes técnicos, como a criação do e-mail ligado ao perfil falso e o envio de mensagens pela conta.
Juliana afirmou não se lembrar de quem criou o endereço eletrônico nem de quem digitou mensagens específicas, o que foi explorado pela defesa.
Carroll também leu trechos de cartas escritas por Juliana enquanto estava presa, nas quais ela expressava sofrimento emocional e desespero. Em um dos textos, escreveu: “Sem forças. Sem coragem. Sem esperança”.
Situação atual dos acusados
Juliana deve ser sentenciada apenas após o fim do julgamento de Banfield. Dependendo do entendimento do juiz sobre o nível de cooperação, ela pode receber uma pena equivalente ao tempo já cumprido.
Brendan Banfield, além das acusações de homicídio qualificado, responde por crimes relacionados a abuso infantil e crueldade contra criança. A filha dele, que tinha 4 anos à época, estava na casa no dia das mortes.
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