POLÍCIA
Clínica de olhos em Salvador é alvo do MPBA após pacientes perderem visão
Investigação aponta falhas sanitárias, assistenciais e de fiscalização durante mutirão


O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) entrou com uma ação judicial contra o Instituto de Oftalmologia e Hospital de Olhos (Clivan), o Município de Salvador e o Estado da Bahia após identificar irregularidades em cirurgias de catarata realizadas pela unidade em fevereiro de 2026.
A investigação apontou falhas sanitárias, assistenciais, organizacionais e de fiscalização durante os procedimentos. De acordo com o MPBA, as consequências atingiram dezenas de pacientes: 15 pessoas perderam totalmente a visão, seis tiveram perda visual parcial e outras precisaram de acompanhamento prolongado e programas especializados de reabilitação visual. O órgão também apura a possibilidade de existirem outras vítimas ainda não identificadas.
Cirurgias pelo SUS e investigação sobre irregularidades
A Clivan faz parte da rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS) e mantém contrato com o Município de Salvador, além de credenciamentos com o Estado da Bahia para realização de procedimentos oftalmológicos custeados pelo sistema público.
No dia 26 de fevereiro de 2026, data dos procedimentos investigados, foram realizadas 138 cirurgias de catarata na unidade.
As apurações foram conduzidas com base em inspeções e levantamentos feitos pela Vigilância Sanitária Municipal, Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), Núcleo Estadual de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (Neciras) e pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs/BA).
O Ministério Público também realizou a escuta de pacientes que participaram das cirurgias realizadas naquele dia.
MPBA pede suspensão de cirurgias e assistência às vítimas
Na ação apresentada à Justiça, o MPBA solicitou que a Clivan seja impedida de realizar novas cirurgias oftalmológicas até comprovar a regularização da unidade.
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O órgão também pediu a preservação de toda a documentação relacionada aos procedimentos realizados no mutirão e a garantia de atendimento integral aos pacientes afetados.
Para o Município de Salvador e o Estado da Bahia, o Ministério Público solicitou a manutenção da suspensão das atividades cirúrgicas da clínica e a proibição de novos encaminhamentos de pacientes ao local até que sejam comprovadas condições adequadas de funcionamento.
Entre os pedidos está ainda a oferta de assistência contínua e individualizada às vítimas e, ao final do processo, a reparação integral dos danos individuais causados aos pacientes, além do pagamento de indenização por danos morais coletivos.
Caso também é investigado na esfera criminal
Além da ação civil, os fatos deram origem a um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) em andamento no Ministério Público da Bahia.
O caso também é alvo de um Inquérito Policial conduzido pela Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, além de medidas ético-disciplinares no Conselho Regional de Medicina da Bahia.
Relembre o caso
Em fevereiro de 2026, pacientes que passaram por cirurgias de catarata em um mutirão realizado pelo Instituto de Oftalmologia e Hospital de Olhos (Clivan), em Salvador, apresentaram complicações após os procedimentos.
As investigações identificaram falhas sanitárias, assistenciais, organizacionais e de fiscalização. Segundo o MPBA, 15 pacientes perderam totalmente a visão, seis tiveram perda visual parcial e outros precisaram de acompanhamento médico e reabilitação visual.
Ao todo, 138 cirurgias foram realizadas no dia investigado. O caso segue sendo apurado pelo Ministério Público, pela Polícia Civil e pelo Conselho Regional de Medicina da Bahia.


