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ESTELIONATO

Colombiano rouba R$ 7 milhões de investidor brasileiro de criptomoedas

Criminoso roubou 1,5 milhão em USDT – criptoativo pareado ao dólar

Gustavo Nascimento

Por Gustavo Nascimento

01/02/2026 - 13:55 h

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Imagem gerada por IA faz alusão à criptomoedas no mercado brasileiro
Imagem gerada por IA faz alusão à criptomoedas no mercado brasileiro -

A Justiça do DF condenou um colombiano identificado como Daniel Uribe Arteaga a oito anos de prisão por conta de um golpe milionário contra um empresário de Brasília do ramo de criptomoedas, ocorrido em novembro de 2024. Ao todo, foram roubados 1,5 milhão em USDT – criptoativo pareado ao dólar, equivalente a cerca de R$ 7,5 milhões na época.

Daniel Uribe, que é um jogador de xadrez de sucesso na Colômbia, se apresentou para a vítima como um empresário espanhol, residente em Barcelona, e com supostos negócios de grande escala nos Estados Unidos e no Paraguai.

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Para tornar sua história convincente, ele teria utilizado uma rede de contatos próxima, que chegou até o contador do empresário brasileiro, estabelecendo uma aparência de legitimidade através de encontros em uma barbearia de luxo no Setor Noroeste de Brasília.

Assim como consta na ação, o enxadrista colombiano disse “atuar com importação em grande escala de iPhones e a necessidade semanal de ter cerca de 4,5 milhões de dólares em USDT para pagamento de fornecedores na China”.

A proposta feita por Daniel Uribe para que o empresário brasileiro entrasse no acordo foi uma operação de câmbio vantajosa: o empresário transferiria criptomoedas e receberia dólares em espécie em uma casa de câmbio no Paraguai, com um lucro de 2%.

O colombiano ainda sugeriu que a transação fosse feita em etapas, iniciando com uma transferência teste de apenas 100 USDT. Contudo, assim que o brasileiro transferiu o montante total de 1,5 milhão de USDT para a carteira digital dele, o acusado interrompeu o contato, não entregou os valores prometidos e saiu do Brasil.

Ocultação de valores

Câmeras de segurança registraram o momento em que o acusado saiu às pressas de sua residência, no dia do crime, em um veículo conduzido por um motorista de aplicativo. Posteriormente, o condutor confirmou que o colombiano estava com malas volumosas e bens de luxo destinados ao exterior.

Para ocultar a origem ilícita do dinheiro, Daniel Uribe “pulverizou” os ativos em diversas carteiras digitais e corretoras internacionais, além de converter parte dos recursos em bens de alto valor, como uma compra de mais de R$ 52 mil em uma loja da Louis Vuitton em Goiânia (GO), feita um dia após o golpe.

De acordo com as investigações da Polícia Civil do DF, o colombiano planejou a fuga com antecedência, chegando a fazer o orçamento para um voo particular para o Panamá ainda em outubro de 2024, um mês antes de fugir com o dinheiro.

Mesmo com as manobras de ocultação, a polícia conseguiu o bloqueio administrativo de aproximadamente 1 milhão de USDT. A ação se deu com o apoio da empresa Tether Operations Limited – emissora da criptomoeda furtada.

Julgamento

Durante o julgamento, o colombiano negou as acusações, disse que as tratativas envolvendo criptomoedas envolviam terceiros e declarou “considerar improvável a transferência de valores elevados a desconhecidos“.

No entanto, o Tribunal de Justiça entendeu que o depoimento prestado pela vítima corroborava com relatos de testemunhas ouvidas ao longo das investigações. Daniel, por sua vez, conforme consta no processo, não conseguiu comprovar a versão apresentada.

“O denunciado construiu narrativa sofisticada, apresentou-se com identidade falsa e simulou operação legítima de câmbio envolvendo criptoativos, utilizando-se de videochamadas, comunicações digitais e do fornecimento de endereço de carteira blockchain para induzir a vítima a erro”, cita a decisão.

O colombiano foi condenado a uma pena definitiva de 8 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado, além de um valor de R$ 404.997,00 como reparação mínima à vítima pelos danos causados. No entanto, o réu ainda pode recorrer em liberdade.

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