EXCLUSIVO
Conselheiro do Vitória integra grupo que sonegou R$ 400 milhões em combustíveis
Suspeito e outros dois integrantes do grupo criminoso foram presos durante a Operação Khalas


Olavo Gouveia Oliva foi preso durante a Operação Khalas, que investiga a sonegação de cerca de R$ 400 milhões no setor de combustíveis na Bahia. Informações obtidas com exclusividade pelo portal A TARDE revelam que além de servidor público, ele é conselheiro do Esporte Clube Vitória.
A reportagem entrou em contato com o presidente do conselho, Nilton Almeida, para entender se o suspeito permanecerá ocupando a posição do clube, mesmo diante dos fatos. Em resposta, o representante afirmou disse que não tem "nada tem a declarar sobre isso neste momento", mas ressaltou que "o ocorrido em nada se relaciona com a condição de conselheiro do clube".
No Governo, Olavo atua auditor fiscal concursado e coordenador do segmento de Petróleo e Combustíveis (Copec) da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Segundo a própria Sefaz, a Infip – Inspetoria Fazendária de Investigação e Pesquisa, participa das ações que resultaram na “Operação Khalas” e segue acompanhando as apurações.
Em nota, a pasta informou que "este trabalho também terá desdobramentos no âmbito administrativo, com apurações a cargo da Corregedoria da Fazenda Estadual, e na área fiscal, pela Superintendência de Administração Tributária". Nesses casos, a Sefaz-BA enfatizou que "age sempre respeitando todos os passos do processo legal, mas mantendo o máximo rigor".
Ainda conforme a reportagem, o nome de Olavo Gouveia aparece na lista pública de atual conselheiros no site do Esporte Clube Vitória. O servidor foi eleito na última votação para o Conselho Deliberativo, pela chapa Leão Colossal, realizado pelo clube em dezembro de 2025, que definiu também os conselhos Gestor e Fiscal, para o triênio 2026–2028.

Leia Também:
Relembre a operação
Além de Olavo, outras duas pessoas foram presas preventivamente durante a operação da Força-Tarefa de combate à sonegação fiscal na Bahia. A ação investiga um esquema de corrupção e crimes tributários no setor de combustíveis, que, segundo as autoridades, movimentou cerca de R$ 400 milhões.
Na ação, também foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias. Dois servidores municipais de Candeias também foram afastados das funções por determinação judicial.
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), Polícia Civil e Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz), o grupo criminoso utilizava o pagamento de propina a servidores públicos estaduais e municipais para obter proteção e facilidades ilegais.
O esquema funcionava por meio da ocultação da importação de insumos químicos, como nafta e solventes, que eram desviados para unidades clandestinas de mistura de combustíveis, conhecidas como “batedeiras”. A suspeita é de que os produtos fossem usados para adulteração e comercialização irregular de combustíveis.

*Colaboraram: Victoria Isabel e Brenda Lua Ferreira.


