COMBATE AO CRIME
Da Bahia ao luxo do Rio: como líderes de facção baiana escaparam de operação policial
Ação tinha como objetivo capturar fugitivos da fuga em massa ocorrida no Presídio de Eunápolis, na Bahia


Uma operação integrada do Ministério Público da Bahia (MPBA), da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e das Polícias Civis da Bahia e do Rio de Janeiro foi deflagrada, na manhã desta segunda-feira, 20, na comunidade do Vidigal, na zona sul carioca. O objetivo era capturar lideranças de uma organização criminosa que atua no extremo sul da Bahia.
O que você vai ler nesta reportagem
- Operação integrada do MPBA, SSP-BA e polícias do RJ e BA busca líderes do PCE no Vidigal
- Dadá, alvo principal e chefe do PCE, fugiu para uma passagem secreta
- A ação se relaciona à fuga em massa de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em 2024
- O PCE é vinculado ao Comando Vermelho, atuando em crimes graves na Bahia
Informações apontaram que o principal alvo da ação era o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o Dadá, chefe do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), organização vinculada ao Comando Vermelho (CV) na Bahia.
Dadá, que é o ‘Dama de Ouros’ do Baralho do Crime da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), no entanto, conseguiu fugir durante as buscas.
A ofensiva resultou na prisão de Núbia Santos Oliveira, considerada uma das principais operadoras financeiras do PCE e esposa de Wallas Souza Soares, o Patola, outra liderança do PCE.
Núbia tinha dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio, além de ser investigada por lavagem de dinheiro. Patola também conseguiu escapar.

Sob anonimato, uma fonte informou ao A TARDE que, além de Núbia, outros três homens, que não eram alvo da operação, foram presos em flagrante.
"Nessa operação agora a gente pegou ela [Núbia] , os outros [alvos] conseguiram fugir. Mas, além dela, foram presos outros três do Comando Vermelho, lá na hora, com fuzil, pistola, rádio comunicador", afirmou o agente.
"Não sei se algum [dos presos em flagrante] é baiano. Mas, se for, não era alvo principal da operação. Os principais alvos, Dadá e Patola, escaparam pelo mato", completou.

Fuga por passagem secreta e cerco no Vidigal
De acordo com as investigações, Dadá conseguiu escapar por uma passagem secreta dentro de um imóvel. O acesso era tão estreito que impediu a entrada de policiais com coletes balísticos. Ele deixou para trás familiares, incluindo mulher e filhos.
Ainda segundo informações, Dadá aproveitou o feriadão de Tiradentes para sair da comunidade da Rocinha para o Vidigal, onde havia alugado uma casa para reunir amigos e familiares.
Dadá era monitorado desde que fugiu do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul baiano, em 16 de dezembro de 2024. A movimentação atípica chamou a atenção das autoridades e As forças de segurança afirmam que as buscas continuam de forma permanente.
Tiroteio, tensão e turistas ilhados
A ação foi marcada por intensa troca de tiros nas primeiras horas da manhã. Moradores do Vidigal relataram momentos de pânico, enquanto helicópteros sobrevoavam a comunidade em voos rasantes.

Turistas que visitavam o Morro Dois Irmãos ficaram ilhados durante o confronto. Sem conseguir descer, muitos permaneceram abrigados em pontos da trilha, temendo os disparos.
Comerciantes fecharam as portas e o trânsito na região ficou comprometido, com interdições temporárias na Avenida Niemeyer.
Relembre: fuga do presídio de Eunápolis
A operação desta segunda-feira está diretamente ligada à fuga em massa registrada em 12 de dezembro de 2024, no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia. Na ocasião, 16 detentos escaparam após uma invasão armada à unidade.
As investigações sobre a fuga do presídio também envolvem a ex-diretora da unidade, Joneuma Silva Neres. Ela é suspeita de ter facilitado a saída dos detentos e de manter ligação direta com Dadá.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), houve troca de tiros e duas celas foram abertas. Atualmente, 13 fugitivos seguem foragidos. Entre eles, Dadá, apontado como o principal líder do grupo.
As investigações indicam que, mesmo fora do presídio, os criminosos continuam comandando ações à distância, especialmente, a partir do Rio de Janeiro, onde estariam sob proteção do Comando Vermelho.
Lista dos fugitivos
- Ednaldo Pereira Souza, Dadá - chefe do PCE
- Sirlon Risério Dias Silva, Saguin - sub-líder da facção
- Rubens Lourenço dos Santos, o Binho Zoião
- Altieri Amaral de Araújo, Leleu - sub-líder do PCE
- Mateus de Amaral Oliveira
- Geifson de Jesus Souza
- Anderson de Oliveira Lima
- Anailton Souza Santos
- Fernandes Pereira Queiroz
- Giliard da Silva Moura
- Valtinei dos Santos Lima
- Romildo Pereira dos Santos
- Thiago Almeida Ribeiro (morto)
- Idário Silva Dias
- Isaac Silva Ferreira
- William Ferreira Miranda
Joneuma e suspeitas de novos crimes
Além de envolvimento na fuga, Joneuma passou a ser investigada por outros crimes, incluindo a suspeita de tentar mandar matar o ex-servidor do presídio, Wallas Santos de Almeida, e a esposa dele.
A motivação, segundo documento obtido pelo A TARDE, por meio do site do Tribunal de Justiça da Bahia, seria uma possível "queima de arquivo”, já que a vítima teria colaborado com as apurações. Na ocasião, a ex-diretora também teria agido em parceria com Dadá.
Ela responde por tentativa de homicídio, sequestro, ameaça e participação em organização criminosa. Atualmente, cumpre prisão domiciliar por decisão da Justiça.
Conheça o PCE
O Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) é uma facção criminosa com forte atuação no extremo sul da Bahia, especialmente em Eunápolis, Caraíva e Trancoso. O grupo é investigado por envolvimento em tráfico de drogas, homicídios, sequestros, roubos e tortura.
Autoridades apontam que a organização mantém aliança com o Comando Vermelho, o que garante suporte logístico, acesso a armamentos e abrigo para integrantes fora do estado.
“Lá na região tivemos várias mortes, com decapitação e tudo. Os homicídios lá de Eunápolis é tudo na conta deles [integrantes PCE]”, afirmou a fonte.
Entre os crimes imputados ao grupo está o assassinato e esquartejamento de Ana Luiza Lima Brito, de 22 anos, em 23 de junho de 2025.
As investigações indicaram que a jovem teria sido executada por integrantes do PCE após ser acusada de repassar informações sobre o paradeiro de Matheus Rodrigues de Souza, de 24, a membros de uma facção rival, o Bonde do Maluco (BDM). Ele foi morto a tiros dois dias antes, em um bar da cidade.
“Eles têm participação na fuga [presídio], têm participação nos crimes aqui na região do extremo sul, seja tráfico de drogas, de armas, lavagem de dinheiro, homicídio, roubo, corrupção de menores”, reafirmou a fonte.
A fonte ainda afirma: “lá na região tivemos várias mortes, com decapitação tudo. Os homicídios lá de Eunápolis é tudo na conta deles”.
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Investigações continuam
De acordo com a SSP, a operação é fruto de um trabalho contínuo de inteligência e monitoramento em parceria com o Ministério Público. O objetivo principal é capturar todos os foragidos da fuga de 2024.
As autoridades reforçam que, mesmo à distância, os integrantes do grupo continuam exercendo liderança e articulando crimes, o que mantém o nível de alerta elevado nas forças de segurança.









