POLÍCIA
Denúncia de integrante do PCC expõe plano contra Moro e promotor do Gaeco
Depoimento cita operação frustrada e vazamentos que beneficiaram o PCC

Um esquema que envolve policiais militares da Rota e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) veio à tona a partir de denúncias que também revelaram um plano da facção para matar o senador Sergio Moro (PL-PR) e o promotor de Justiça Lincoln Gakyia em 2023.
As informações constam em depoimento prestado pelo próprio Gakyia à Corregedoria da Polícia Militar. O promotor faz parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), e há mais de 20 anos investiga a atuação do PCC no estado.
Saída de comandante e investigação na PM
O caso ganhou desdobramentos após a citação do então comandante-geral da PM, José Augusto Coutinho, em um inquérito policial militar, fato que levou à sua saída do cargo.
Segundo Gakyia, ele comunicou a Coutinho suspeitas de que policiais do setor de inteligência da Rota estariam vazando informações para beneficiar lideranças da facção. No entanto, não há registro de providências adotadas, de acordo com o promotor.
Infiltração e delação de integrante do PCC
A investigação aponta que o envolvimento de policiais da elite da PM paulista com o PCC foi descoberto em outubro de 2021. O integrante da facção que fez as denúncias, hoje sob proteção, chegou a ser ouvido na sede da Rota, onde permaneceu por cerca de quatro horas.
Nesse depoimento, ele afirmou que Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, então apontado como líder do PCC nas ruas, teria escapado da Operação Sharks no ano anterior graças a informações repassadas por policiais do setor de inteligência.
Plano para matar Moro e o promotor
Já em nova oitiva realizada em fevereiro de 2023, o informante voltou a trazer detalhes que elevaram o nível de alerta das autoridades. Ele relatou a existência de um plano da facção para assassinar Gakyia e o senador Sergio Moro, que foi ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PL).
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“Quero deixar registrado que, em fevereiro de 2023, fizemos nova oitiva da testemunha protegida porque ela nos mandou uma informação de que soube de um plano para me assassinar e também assassinar o senador Sergio Moro. Durante essa oitiva, a referida testemunha narrou que o responsável pelo setor da sintonia restrita 05 do PCC, conhecido pela alcunha de Nefo, seria o responsável por esses atentados”, disse Gakyia à Corregedoria. Sintonia restrita é um dos grupos que integram a cúpula da facção.
Operação Sequaz e prisão de “Nefo”
A partir dessas declarações, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sequaz, no mês seguinte, que resultou na prisão de Janeferson Aparecido Mariano, o Nefo, apontado como um dos articuladores do plano.
“Tive conhecimento através de informantes na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde Nefo estava preso antes de ser assassinado, no sentido de que esse informante presenciou Nefo dizer que havia recebido um ‘pipa’ oriundo da sintonia de rua do PCC querendo informações sobre o pagamento da quantia de R$ 500 mil para policiais militares da Rota”, acrescentou o promotor.
Transwolff e ampliação das investigações
Outro desdobramento do caso envolve a empresa Transwolff, que operava linhas de ônibus na zona sul de São Paulo e teve contrato rompido pela prefeitura. Um policial militar preso por atuar como segurança privado de empresários ligados a essa estrutura citou o ex-comandante da PM, ampliando o alcance das investigações.
O sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário afirmou que Coutinho teria sido informado sobre a atuação irregular de policiais, mas não teria tomado medidas.
Prisões e apreensões
Esse conjunto de denúncias levou a um inquérito policial militar que resultou na prisão de três policiais e em buscas contra 16 investigados. Em uma das ações, os agentes apreenderam R$ 1 milhão em espécie em um dos endereços ligados ao caso.
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