POLÍCIA
Facção venezuelana aliada do PCC entra na mira do governo americano
Facção surgida na penitenciária de Tocorón fortalece laços com o PCC e desperta reação do governo norte-americano

Por Luan Julião

Duas organizações criminosas da Venezuela voltaram ao centro do debate internacional após serem enquadradas pelos Estados Unidos como ameaças à segurança nacional. Entre elas, o Tren de Aragua, que mantém aliança direta com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para expandir suas operações pela Amazônia brasileira, e o Cartel de los Soles, acusado pelos EUA de envolver altos membros das Forças Armadas venezuelanas no tráfico de drogas.
Ambas foram recentemente classificadas como Organizações Terroristas Estrangeiras, intensificando a pressão diplomática e militar sobre o regime de Nicolás Maduro.
Tren de Aragua: expansão violenta e influência crescente na América do Sul
Criado em 2012 dentro da penitenciária de Tocorón, o Tren de Aragua se consolidou rapidamente como a maior facção da Venezuela. A organização nasceu sob liderança de internos do presídio e ganhou notoriedade pela extrema violência empregada na ocupação de territórios, com punições que incluem assassinatos e esquartejamentos — métodos semelhantes aos usados por grandes facções brasileiras.
Sua ascensão levou o grupo a ultrapassar fronteiras, estabelecendo conexões em países como Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile. No Brasil, sua presença se tornou mais evidente nos últimos anos, especialmente na região Norte, onde o grupo busca consolidar rotas do tráfico de drogas, controlar áreas de prostituição e explorar garimpos ilegais.
A expansão no território brasileiro também passa pelo recrutamento de nacionais e por uma aliança com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que reduziu confrontos iniciais e facilitou a entrada dos venezuelanos em áreas estratégicas da Amazônia.
Liderança e estrutura do grupo
O controle do Tren de Aragua é atribuído a Héctor Guerrero Flores, o Niño Guerrero, que acumula condenações por homicídios, tráfico e outros crimes, totalizando 17 anos de pena. Em 2018, o criminoso escapou de Tocorón através de túneis subterrâneos utilizados por presos durante uma megaoperação.
Ao lado dele, outros nomes são apontados como cofundadores e operadores. Entre eles, está Yohan José Romero, o “Johan Petrica”, acusado de facilitar acesso a armas de uso militar e de promover mineração ilegal.
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Em julho, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu Guerrero, Romero e outros integrantes na lista de sancionados:
- Josué Ángel Santana Peña, o “Santanita”, acusado de homicídio, extorsão, terrorismo e roubos;
- Wilmer José Pérez Castillo, responsabilizado por assassinatos de agentes de segurança;
- Wendy Marbelys Ríos Gómez, esposa de Niño Guerrero;
- Félix Anner Castillo Rondón, o “Pure Arnel”.
Ao justificar as sanções, o governo dos EUA classificou o Tren de Aragua como Organização Terrorista Estrangeira, afirmando que o grupo “aterroriza comunidades” e representa ameaça à segurança nacional.
Cartel de los Soles: acusações, disputa política e designação terrorista
Diferente do Tren de Aragua, o Cartel de los Soles é cercado por incertezas. Não há consenso formal sobre sua criação, e o próprio governo venezuelano nega a existência da organização. As principais acusações vêm dos Estados Unidos, que sustentam que o grupo seria controlado por integrantes das Forças Armadas da Venezuela desde o início do governo Hugo Chávez, em 1999.
Segundo essa versão, o cartel teria evoluído para uma rede internacional de tráfico de drogas comandada atualmente por Nicolás Maduro. Para Washington, a estrutura atua lado a lado com o Tren de Aragua para enviar drogas ao território norte-americano.
As autoridades venezuelanas rejeitam as acusações. O Ministério das Relações Exteriores classificou a designação como “mentira nova e ridícula”, enquanto o ministro do Interior e Justiça afirmou que a medida serve apenas como instrumento político dos EUA contra adversários.
Na última segunda-feira (24/11), o Departamento de Estado formalizou a inclusão do Cartel de los Soles na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, permitindo, em termos legais, que qualquer tipo de apoio ao grupo seja criminalizado — e até abrindo espaço para o uso de força militar, segundo a legislação norte-americana.
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