POLÍCIA
Furto de módulo transforma modelo popular da Fiat em alvo de criminoso
Peça controla o funcionamento do motor e também é usada para facilitar o furto de outros carros

Por Luan Julião

Um gesto rápido é suficiente para que o crime aconteça. O suspeito se aproxima do veículo, acessa o capô com facilidade, remove um componente estratégico do motor e deixa o local em poucos segundos. A cena tem se repetido com frequência e tem como alvo um modelo específico: o Fiat Idea.
Apesar de não ser um carro recente, o monovolume foi comercializado no Brasil entre 2005 e 2016, o modelo ainda circula em grande número. Mais de 250 mil unidades foram vendidas no país, o que ajuda a explicar por que determinadas peças seguem valorizadas no mercado clandestino. Entre elas, está o módulo de injeção eletrônica, também conhecido como ECU, considerado o “cérebro” do automóvel.
De acordo com especialistas, o alto valor do componente está diretamente ligado à dificuldade de reposição. Por se tratar de um veículo fora de linha há cerca de dez anos, encontrar a peça original não é simples, e a substituição por um módulo diferente não é viável, já que a eletrônica do carro não aceita adaptações fora do padrão de fábrica.
Oficinas especializadas já sentem o impacto da prática. Existem relatos de casos de vítimas que tiveram o módulo furtado mais de uma vez. O prejuízo não é pequeno: o valor pago por uma nova central pode variar entre R$ 2.200 e R$ 3 mil. Para tentar reduzir os riscos, algumas empresas passaram a oferecer uma trava de proteção específica para o componente, com custo aproximado de R$ 400.
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A importância da ECU vai além do preço. É ela quem gerencia o funcionamento do motor, recebendo dados de diversos sensores que monitoram pressão, temperatura, velocidade e a mistura de gases da combustão. A partir dessas informações, o sistema controla elementos fundamentais, como bomba de combustível, bicos injetores, bobina de faísca e ventoinha de arrefecimento.
O acesso facilitado ao módulo ajuda a explicar por que ele se tornou um alvo frequente. O projeto do veículo prioriza a agilidade na montagem industrial e a facilidade de manutenção, o que resulta em um sistema de fixação simples e de rápida remoção.
Embora a ECU conte com um imobilizador original de fábrica que impede o funcionamento do motor sem uma chave devidamente codificada, esse mecanismo não foi suficiente para afastar os criminosos. Pelo contrário: o bloqueio levou ao surgimento de uma segunda motivação para o furto do componente.
a substituição do módulo original por uma central adulterada permite eliminar os códigos de segurança. Com isso, o veículo passa a funcionar com qualquer chave, facilitando o furto de outros carros.
Assim, o furto do módulo de injeção deixa de ser apenas um prejuízo isolado para o proprietário e passa a integrar uma cadeia maior de crimes, alimentando o mercado ilegal de peças e viabilizando novos roubos.
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