POLÍCIA
Grupo que desviou R$ 45 milhões da Caixa teria recebido dados judiciais
Chefe da quadrilha teria esquecido de apagar documento do bloco de notas do celular


O grupo investigado por desviar R$ 45 milhões de clientes da Caixa Econômica Federal teria recebido informações judiciais antes da operação deflagrada contra a quadrilha. Os suspeitos tiveram acesso antecipado a um documento sigiloso da Justiça Federal que autorizava a ação, cerca de um mês antes dela acontecer.
Desta forma, eles tiveram tempo de apagavar arquivos, esconder patrimônios e se prepararam para esperar a chegada dos agentes, segundo informações divulgadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 2.
No entanto, mesmo com a tentativa de eliminar as provas, a quadrilha esqueceu de se livrar da pista que permitiu à Polícia Federal rastrear o vazamento do documento.
Análises dos de celulares dos integrantes da quadrilha, permitiram descobrir o acesso precoce aos dados na íntegra, mesmo esse documento ser protegido por segredo de justiça. Apenas juízes, investigadores e servidores da Justiça Federal deveriam ter a posse.
O chefe da quadrilha chegou a apagá-lo, no entanto, esqueceu uma cópia no bloco de notas do aparelho. Além disso, a Polícia Federal encontrou uma conversa em que ele encaminha o materaisl para outro integrante da quadrilha.
Como o documento chegou ao grupo criminoso?
Com a descoberta do vazamento, a investigação tomou outro rumo e passou a tentar entender como as informações foram desviadas.
O primeiro acesso à decisão foi feito pelo servidor da Justiça Federal Jackson Cozende, que não tinha nenhum motivo funcional consultar o processo. Desta forma, ele é apontado como o principal responsável.
A esposa dele, Gabrielle Cozendey, também é investigada, pois a conexão de internet usada durante a consulta vinha do escritório de advocacia onde ela trabalha. Além disso, outro caso suspeito está relacionado à renda dela, que declarou receber mensalmente R$ 5.200, mas movimentou R$ 1,74 milhão em seis meses.
A defesa de ambos garante que eles não possuem qualquer vinculação com os fatos apurados.
A Polícia Federal afirma que houve uma atuação coordenada de três servidores para fazer a decisão sair de dentro da Justiça.
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Entenda como a quadrilha agia
As investigações, que começaram em 2025, apontam que os criminosos invadiam contas e desviavam o dinheiro das vítimas, incluindo beneficiários do FGTS e do auxílio emergencial, impossibilitando que as vítimas tivessem acesso a recursos com os quais comprariam comida e remédios.
Há pelo menos dois núcleos de atuação da quadrilha, sendo um deles em São Paulo, com o casal Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa, responsáveis por coordenar as fraudes através de acesso às contas.
Eles criaram uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas para tentar evitar a recuperação de valores pelas autoridades brasileiras. Assim, mantinham parte dos recursos desviados devido à dificuldade de rastreamento.
O segundo núcleo tinha como sede o Rio de Janeiro e era chefiado por Jader Henrique Areas de Almeida, responsável por coordenar e confirmar as ações, assim como definir as datas dos golpes e distribuir os dados das vítimas para o grupo.
Já o operador financeiro da organização como um todo, entre os dois estados, é Enzo Grillo Filho, que fazia o dinheiro circular.


