INSEGURANÇA EM CASA
Jovem morto em Valéria é a segunda vítima refém morta em uma semana
Vítimas foram baleadas dentro de casa durante confronto entre PMs e suspeitos

Em um intervalo de apenas sete dias, duas famílias de bairros periféricos de Salvador viveram tragédias marcadas por um mesmo cenário: troca de tiros entre policiais e suspeitos, invasão de residências e moradores atingidos dentro de casa.
As mortes de Lucas Mendes de Jesus, de 19 anos, em Valéria, nesta sexta-feira, 8, e de Davi Luiz de Jesus Ribeiro, de 11 anos, no Engenho Velho da Federação, no dia 1º de maio, reacenderam críticas sobre a forma como operações policiais têm sido conduzidas em áreas densamente povoadas da capital baiana.
Nos dois casos, familiares contestam as circunstâncias das mortes e afirmam que as vítimas não tinham envolvimento com o crime.
Moradores denunciam o medo constante de quem vive em comunidades marcadas por tiroteios frequentes, onde nem dentro de casa conseguem se sentir seguros.
As vítimas
Lucas Mendes de Jesus, de 19 anos, morreu durante uma ação policial na localidade conhecida como Bolachinha, no bairro de Valéria.
Segundo familiares, ele estava em casa com a mãe, os irmãos e um amigo quando homens armados invadiram o imóvel durante uma intensa troca de tiros na região.
A mãe do jovem afirma que a família tentou se proteger dos disparos colocando um sofá na porta da residência. Pouco depois, um homem armado entrou no imóvel e fez todos reféns.
Relatos apontam que Lucas tentou proteger a mãe e os irmãos quando foi atingido pelos tiros.
A família afirma que o jovem foi morto por policiais e contesta a versão oficial da corporação, que informou que dois homens foram encontrados feridos após o confronto e levados ao Hospital do Subúrbio, onde morreram.
Revoltados com a situação, moradores foram às ruas em Valéria para protestar, neste sábado, 9. Pneus foram queimados e ruas bloqueadas em um ato que cobrava justiça e esclarecimentos sobre a ação policial.
Uma semana antes, o garoto Davi, de apenas 11 anos, estava dentro de casa, na localidade da Lajinha, no Engenho Velho da Federação, quando foi baleado durante outra ação policial. Informações oficiais apontam que homens armados invadiram o imóvel durante uma troca de tiros com policiais militares.
A tia de Davi, que não teve o nome divulgado e também estava na residência, foi atingida em um dos braços. Além deles, o primo do garoto, uma criança de 5 anos, também estava no local, mas não ficou ferido.
A morte provocou revolta entre moradores e amigos da família. Assim como no caso de Lucas, horas após o crime, um protesto interditou parte da Avenida Vasco da Gama.
Os dois casos têm semelhanças que vão além da proximidade entre as datas. Em ambas as ocorrências, suspeitos invadiram residências durante perseguições policiais e famílias ficaram encurraladas dentro de casa em meio aos tiros.
Nas duas situações, pessoas sem participação direta nos confrontos acabaram mortas dentro das próprias residências - um espaço que deveria representar segurança, mas que, em muitos bairros periféricos, tem sido atravessado pela violência armada.
Outros feridos e mortos nas ações
No confronto que terminou com a morte de Lucas, o policial militar Ramon Santos Nascimento foi baleado na mão e no abdômen. Um suspeito, que não teve a identidade divulgada, também morreu.
O PM foi encaminhado para um hospital da cidade, mas o estado de saúde dele não foi informado.
Já no caso de Davi, além do garoto, um suspeito identificado como Maverique Souza da Silva, conhecido como Mavi, apontado como líder do tráfico de drogas na Lajinha, também morreu.
O que diz a PM
Sobre a morte de Lucas, a Polícia Militar informou que equipes da 31ª CIPM realizavam patrulhamento em Valéria quando foram atacadas por homens armados.
Segundo a corporação, os suspeitos invadiram uma residência e continuaram atirando. Um policial ficou ferido e dois homens morreram durante a ocorrência.
Já sobre o caso Davi, a PM informou que equipes do BPatamo e do CPME realizavam patrulhamento na Lajinha quando foram recebidas a tiros.
De acordo com a corporação, um dos suspeitos entrou em uma residência atirando e, nesse momento, a criança e a tia foram baleadas. A PM afirmou ainda que dois suspeitos morreram e um foi preso.
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Os dois casos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), através da Delegacia de Homicídios Múltiplos (DHM).
Enquanto as investigações avançam, as mortes de Lucas e Davi ampliam o debate sobre o impacto das operações policiais em bairros periféricos, onde o medo de morrer dentro de casa passou a fazer parte da rotina de muitas famílias.
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