POLÍCIA
Promotor afirma que Deolane tem ligação com parente de líder do PCC
Influenciadora é investigada por lavagem de dinheiro e organização criminosa

A nova prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, ocorrida nesta quinta-feira, 21, ganhou um desdobramento complexo após declarações do promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Lincoln Gakiya. Segundo o membro do MP, a influenciadora mantém relações “diretas e íntimas” com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como o principal líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após o cumprimento do mandado de prisão na quinta-feira, Deolane foi transferida para uma unidade prisional no interior do estado de São Paulo nesta sexta-feira (22).
Vínculos com a cúpula da organização
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Gakiya afirmou que as investigações da Operação Vérnix identificaram vínculos estreitos da influenciadora com integrantes do alto escalão da facção. Segundo o promotor, Deolane possui uma amizade próxima com Paloma Camacho e Alexandro Camacho, ambos investigados no mesmo caso.
“Ela tem relação direta com a família Camacho”, asseverou o promotor de Justiça.

Acusações de lavagem de dinheiro e ocultação de bens
De acordo com os autos do Ministério Público, a advogada teria disponibilizado contas bancárias de sua titularidade e de suas empresas para viabilizar operações de lavagem de dinheiro atreladas à organização criminosa.
Gakiya alegou também que o expressivo crescimento patrimonial da influenciadora nos últimos anos é incompatível com as atividades financeiras formalmente declaradas por ela.
“Ela será denunciada por participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro”, declarou o promotor. A defesa de Deolane Bezerra rebate as declarações do MPSP e nega veementemente todas as acusações.
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Suspeita internacional e residências próximas
Apontada como uma das peças-chave do esquema, Paloma Camacho seria a responsável por intermediar as movimentações financeiras da família de Marcola. A polícia tentou cumprir um mandado de prisão contra ela na Espanha, mas a suspeita não foi localizada e passou a ser considerada foragida internacional.
O cruzamento de dados da investigação aponta que Deolane e Paloma moravam no mesmo bairro em São Paulo, em residências próximas, e chegaram a realizar viagens para o continente europeu no mesmo período.
Como funcionava o esquema
Conforme o Ministério Público, a engrenagem ilícita envolvia o repasse de ordens emitidas de dentro do sistema penitenciário federal por meio de visitas estruturadas.
Além disso, o fluxo financeiro contava com a movimentação de vultosos valores oriundos de uma empresa de transportes, suspeita de ser utilizada como fachada para facilitar as atividades financeiras e logísticas da facção.
O caso segue sob segredo de Justiça e sob a condução das autoridades policiais paulistas.



