FRAUDE NO SUS
Saiba quem é a médica que pagou fiança e é investigada por fraude de R$ 27 milhões
Investiga em fraude milionária, Olívia Paroschi Jafar foi solta após pagar fiança


A médica Olívia Paroschi Jafar voltou ao centro das atenções após ser presa durante a Operação Gutenberg, que investiga um suposto esquema de fraude milionária envolvendo contratos públicos em Mato Grosso do Sul. Ela deixou a prisão no último sábado, 18, após pagar fiança, e agora responde às investigações em liberdade, usando tornozeleira eletrônica e cumprindo medidas cautelares impostas pela Justiça.
Nas redes sociais, Olívia se apresentava como médica voltada para a área de estética e emagrecimento. Em seu perfil profissional, divulgava procedimentos para redução de gordura localizada, além de outros tratamentos estéticos realizados por meio da empresa Jafar Estética e Saúde, da qual é sócia-administradora.
A empresa funciona no mesmo endereço da Clínica Ross, em Campo Grande. Além dos atendimentos na área estética, a médica também possuía um contrato de prestação de serviços com a Santa Casa de Campo Grande.
Qual o vínculo?
O vínculo foi firmado em 16 de junho de 2025, com validade de um ano. Pelo contrato, Olívia foi designada como responsável técnica para atendimentos de urgência e emergência destinados a pacientes particulares e de convênios do Prontomed. A remuneração prevista era de R$ 125 por hora de plantão.
Em nota, a Santa Casa informou que a empresa da médica foi contratada apenas para plantões eventuais na ala privada e que não presta serviços ao hospital há aproximadamente três meses.
Segundo a defesa, o contrato não possui qualquer relação com a investigação. A advogada Estella Bauermeister afirmou que o documento servia exclusivamente para formalizar a prestação de serviços médicos por meio de pessoa jurídica.
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Investigação
Olívia é um dos alvos da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). As investigações apontam a existência de uma organização criminosa suspeita de utilizar a regulação de consultas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) para pressionar prefeitos a adquirir livros da Editora Avante.
De acordo com o Gaeco, o esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos considerados fraudulentos entre 2022 e 2024.
A defesa confirmou que a médica foi colocada em liberdade após o pagamento de fiança, cujo valor não foi divulgado. Como condições para permanecer solta, ela deve comparecer à Justiça sempre que convocada, usar tornozeleira eletrônica e não manter contato com familiares investigados.
Além de Olívia, também foram presos durante a operação a mãe dela, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Felipe Paroschi Jafar e Giovanni Paroschi Jafar, que seguem detidos.
O que diz a defesa da médica?
Em nota, a defesa de Olívia afirmou que a Justiça reconheceu que ela não fazia parte do núcleo de comando da suposta organização criminosa, motivo que levou à substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.
Os advogados sustentam ainda que a médica sempre atuou exclusivamente na profissão, não exercia funções de gestão nas empresas investigadas e que o contrato dela com a Santa Casa se refere apenas à prestação de serviços médicos, sem relação com os fatos apurados.


