POLÍCIA
Veja carta aberta de Marcinho VP para Oruam: “tem que pagar”
Oruam enfrenta múltiplas acusações enquanto o pai mantém atividade literária

O rapper Oruam, filho do ex-criminoso Marcinho VP, é atualmente réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante operação realizada em junho do ano passado. Após a revogação de um habeas corpus, o artista é considerado foragido, enfrentando também acusações de resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.
Enquanto a Justiça busca sua localização, cartas do pai, Marcinho VP, enviadas ao advogado Siro Darlan, reforçam a mensagem de responsabilidade: “tem que pagar”. Nas correspondências, VP reconhece os erros do filho, mas questiona acusações que, em sua visão, vão além do que foi realmente cometido.
Entre a crítica e a defesa
Nas cartas, Marcinho VP reconhece os erros do filho, mas contesta excessos nas acusações: “No que dizia respeito a meu filho popstar, firmeza total. Como pai, lamento muito por tudo que ele está passando, porém, ele também não vigiou, né?”. Ele reforça: “Ainda assim, tem que pagar apenas pelo que fez de verdade, e não por acusações levianas e armas portadas como estão intentando fazer com o menino”, mostrando confiança na Justiça.
O detento também descreve o histórico familiar e a formação religiosa dos filhos: “Todos os filhos cresceram na Igreja”. Sobre Oruam, observa: “Mauro era um menino bom, respeitador, obediente aos pais, humilde. Todavia, é insofismável que o sucesso fez ele tirar os pés do chão um pouco e se perder”. Ele finaliza com esperança: “Meu filho não é, e nunca foi, nenhum bandido, mas sim um artista com potencial ímpar, que canta, compõe e arrasta multidões. Acredito que ele, se tiver juízo, vai sair de lá maior do que entrou”.
Justiça e teorias jurídicas
Marcinho VP critica a aplicação da teoria do “domínio do fato” nos processos criminais que enfrenta. Ele a define como “a teoria do alemão Claus Roxim que é distorcida aqui no Brasil”, ressaltando divergências sobre sua responsabilização em delitos cometidos por terceiros.
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Cartas vigiadas
Como todos os detentos do sistema penitenciário federal, Marcinho VP tem suas correspondências monitoradas. Funcionários analisam as cartas para impedir a transmissão de ordens criminosas, o que pode resultar em trechos riscados com caneta preta e atrasos na entrega. O detento considera o procedimento uma violação de sua privacidade.
Escrita como fuga
Mesmo sob regime de isolamento prolongado, Marcinho VP mantém intensa atividade literária. Ele já escreveu seis livros, quatro publicados, e trabalha no sétimo, “Os mutilados”. Além disso, integra a Academia Brasileira de Letras do Cárcere, ocupando a cadeira número um, batizada com o nome de Graciliano Ramos. Sobre sua escrita, afirma: “Escrever é algo libertador”.
O detento se aproxima do limite máximo de cumprimento contínuo da pena, de 30 anos, com previsão de saída em setembro de 2026. No entanto, uma prisão preventiva de 2024, relacionada a roubo de carros na Zona Norte do Rio, pode impedir a sua libertação.
Tentativas de homicídio e outros crimes
Oruam responde por ações que teriam colocado policiais civis em risco durante operação no ano passado. Além das tentativas de homicídio, ele é investigado por resistência à prisão, desacato a autoridade, ameaça e dano qualificado. O restabelecimento da prisão preventiva torna a situação do rapper ainda mais grave, caracterizando-o como foragido da Justiça.
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