JUSTIÇA
Vinte e cinco servidores são afastados por fraude de R$ 87 bilhões
Esquema de corrupção envolvendo mercadorias em um porto brasileiro ocorre, pelo menos, desde 2021

Vinte e cinco servidores foram afastados da Receita Federal nesta terça-feira, 28, como resultado de uma investigação que revelou um esquema de propina e corrupção no Porto do Rio de Janeiro. A corrupção envolve mercadorias e uma movimentação financeira de cerca de R$ 87 milhões.
A descoberta foi de responsabilidade Operação Mare Liberum, trabalho conjunto da RF, Polícia Federal e Ministério Público Federal, com o objetivo de combater a organização.
Ao todo, são cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Vitória (ES). Investigações apontam que os criminosos teriam atuado entre julho de 2021 e março de 2026 com um fluxo de pagamentos sistemáticos para servidores.
Ação do grupo e investigação
Desde fevereiro de 2022 a Corregedoria da Receita Federal apura irregularidades no despacho aduaneiro do Porto do Rio, descobrindo assim, a existência da organização criminosa estruturada.
O grupo dos supeitos é composto por:
- Servidores públicos;
- Despachantes aduaneiros;
- Empresários.
Os integrantes atuavam de forma coordenada para viabilizar a liberação irregular de mercadorias importadas mediante pagamento sistemático de propina.
As investigações apontam atuação de grupo estruturado na liberação irregular de mercadorias, com divergências entre produtos importados e declarados, e possível supressão de tributos.
O esquema incluia:
- Liberação direta de mercadorias: desembaraço de cargas com inconsistências graves nos canais vermelho e cinza;
- Setor de óleo e gás: elaboração de procedimentos artificiais a fim de liberar embarcações e equipamentos sem previsão legal;
- Operadores portuários: recebimento de vantagens indevidas pagas diretamente por operadores do porto.
Durante o período de fiscalização, a Receita Federal identificou quase 17 mil Declarações de Importação (DI) potencialmente contaminadas por irregularidades, correspondendo a cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias.

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Servidores afastados
Dos investigados, 25 trabalhadores públicos foram afastados dos respectivos cargos após determinação judicial, sendo eles:
- 17 auditores fiscais;
- oito analistas.
Além disso, a investigação apontou ainda o envolvimento de nove agentes privados e despachantes, com medidas de bloqueio de bens e de restrições a atividades profissionais.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.
Segundo a Receita, um trabalho vem sendo feito para garantir a fluidez do comércio no Porto do Rio. Investigações seguem visando identificar outros envolvidos.
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