Presidente do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil) conseguiu impor uma derrota histórica ao Palácio do Planalto com a rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O resultado foi um 'recado' do parlamentar ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Jorge Messias é o primeiro nome indicado por um presidente da República a ser rejeitado pelo Senado em 132 anos. Evangélico, o AGU teve 34 votos, após ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Para ser aprovado no plenário, são necessários 41 votos favoráveis.
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Desde o anúncio do presidente Lula, em novembro de 2025, que Messias foi visto sob desconfiança pelos senadores. Alcolumbre, que em determinados momentos esteve próximo ao Planalto, chegando a indicar ministros para o governo, mostrou insatisfação com a escolha do chefe do Planalto.
Preferência por Pacheco
Desde sempre, Alcolumbre mostrou preferência pelo também senador e ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que apareceu, em certo momento, como aposta para suceder Luís Roberto Barroso no STF.
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O próprio Pacheco se colocou disposto a aceitar a missão, mas foi preterido por Messias pelo presidente Lula, que enxerga no político um importante ativo para o cenário eleitoral em Minas Gerais, segundo maior colégio do país.
Recados de Alcolumbre
Após ter seu 'preferido' rejeitado por Lula, Alcolumbre sinalizou que não aceitaria a indicação do presidente de maneira imediata. Por medo de uma derrota, o Planalto postergou o envio do nome de Messias, deixando apenas para abril deste ano.
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Alcolumbre subiu o tom quando foi alvo de críticas por integrantes do governo, em dezembro de 2025, e refutou, em tom de desabafo, as acusações de que estaria atuando contra a indicação de Messias.
"Até hoje, algumas autoridades insistem a dizer que o presidente do Senado Federal está usurpando as prerrogativas do presidente quando quer indicar uma vaga para o STF. É inacreditável a capacidade das pessoas de mentir em relação a decisões institucionais tomadas por um chefe de poder", afirmou Alcolumbre na ocasião.
Temor de Lula
Lula mostrou temor, em determinado momento, de ter o nome de Messias rejeitado. Em conversas reservadas com o portal A TARDE, em março deste ano, senadores da base governista admitiram o medo do presidente.
O presidente enviou alguns nomes de confiança para a construção de 'pontes' com Alcolumbre. Os senadores receberam do presidente do Legislativo um sinal 'positivo' para a indicação de Messias.

Bolsonaristas vitoriosos
A derrota de Messias, a primeira em 132 anos, também é uma vitória para o bolsonarismo, que tem a eleição para o Senado como uma das prioridades para o pleito de outubro deste ano.
O bloco, hoje liderado politicamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, ensaiou uma articulação, desde o final de 2025, para barrar Messias.

A estratégia consiste no enfraquecimento da imagem de Lula, assim como a criação de uma expectativa dentro da base bolsonarista para possíveis impeachments de ministros do STF na próxima legislatura.
Flávio Bolsonaro afirmou, logo após o resultado, que a rejeição ao nome Messias é uma prova de que "o governo Lula acabou".
"Para mim, com essa votação, o governo acabou. O governo não tem governabilidade, não tem mais a menor condição de tratar de absolutamente nada aqui. Isto é consequência de muita incompetência e de muita corrupção no governo Lula", disparou.

Próximos passos
Por conta da tensão do ano eleitoral, a tendência é de que Lula não indique mais em 2026 o nome para suceder Luís Roberto Barroso. Caberá ao próximo presidente, que pode ser o petista em um eventual segundo mandato, fazer a nova indicação.
Lula, que se reuniu com integrantes do governo, não se manifestou publicamente sobre o revés no Senado até o momento.
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