BANCO MASTER
Após reclamações, Mendonça autoriza retorno de Vorcaro à cela especial
Mudança ocorre após queixas sobre condições da prisão e saída de advogado ligado à negociação de delação


O ministro André Mendonça autorizou o retorno de Daniel Vorcaro para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A decisão acontece em meio ao desgaste envolvendo as negociações da delação premiada do fundador do Banco Master e após reclamações sobre as condições da cela comum em que ele estava detido.
Segundo relatos apresentados à defesa, Vorcaro reclamou da estrutura do local, afirmando que havia apenas um vaso sanitário no chão e um cano de água fria utilizado para banho.
Leia Também:
Saída de advogado aumentou tensão no STF
Nos bastidores, a mudança também coincide com a saída do advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, da defesa de Vorcaro.O criminalista vinha conduzindo as tratativas relacionadas ao acordo de delação premiada, mas acumulava desgastes recentes com o ministro do Supremo Tribunal Federal.
A relação entre os dois teria se deteriorado após uma audiência em que Mendonça afirmou esperar uma delação mais “verdadeira” por parte do empresário. Durante a conversa, Juca reagiu dizendo que, caso o acordo fosse rejeitado pelo ministro, recorreria à Segunda Turma do STF para tentar manter a proposta apresentada.
O episódio aumentou a tensão em torno das negociações envolvendo o caso Banco Master. De acordo com investigadores, Mendonça passou a enxergar a estratégia da defesa como uma tentativa de apresentar relatos superficiais, sem aprofundar possíveis relações do empresário com autoridades políticas e integrantes de órgãos regulatórios.
Investigação mira relações políticas e órgãos reguladores
Entre os pontos considerados sensíveis estariam contatos de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além de relações com integrantes do governo do Lula, Banco Central e CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Outro ponto que gerou resistência entre investigadores foi a proposta financeira apresentada durante as negociações.
Inicialmente, a defesa teria sugerido devolver R$ 40 bilhões, valor que depois teria subido para R$ 60 bilhões. O problema, porém, estaria no prazo de até dez anos para devolução do dinheiro.
Nos bastidores da investigação, a avaliação foi de que o período extenso poderia representar uma estratégia para ganhar tempo, deixar a prisão e prolongar o processo judicial com recursos sucessivos. Integrantes da investigação citaram casos recentes da política brasileira, como a Lava Jato, para justificar a desconfiança em torno da proposta.
PF rejeita proposta de delação
Neste momento, a Polícia Federal já decidiu rejeitar a delação apresentada por Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, enquanto a decisão final caberá a André Mendonça, relator do processo no STF.
Com a saída de Juca da defesa, a expectativa é de que Vorcaro monte uma nova equipe jurídica para tentar reformular o acordo.
Entre os pontos considerados fundamentais para uma eventual retomada das negociações estariam a devolução imediata de recursos e a apresentação de provas mais robustas envolvendo relações com autoridades políticas e órgãos reguladores.


