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Ex-diretora de presídio negociava votos com facção para político baiano

Entenda relação de candidato a prefeito de Teixeira de Freitas com facção criminosa

Gabriela Araújo e Luan Julião
Por Gabriela Araújo e Luan Julião
| Atualizada em
Ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB)
Ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB) -

Uldurico Júnior (MDB), ex-deputado federal que não conseguiu assumir a cadeira da prefeitura de Teixeira de Freitas, no extremo-sul baiano, foi apontado como “padrinho político” da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres.

A ex-gestora esteve envolvida na fuga dos presos ligados à facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), com associação ao Comando Vermelho (CV). O caso aconteceu em dezembro de 2024.

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O ex-parlamentar teria sido o responsável por indicar a mulher para o cargo. Ela foi nomeada em março do ano passado para a função, quando substituiu o tenente-coronel PM Cleber Santos, segundo informações do Diário Oficial do Estado (DOE).

Encontro

Após assumir a função, Joneuma, que mantinha um relacionamento com o líder da facção local, ficava responsável por intermediar o encontro do criminoso com o ex-deputado federal, de acordo com a denúncia encaminhada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

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As conversas aconteciam “de forma clandestina, com a participação de Joneuma, e cercadas de ‘cuidados especiais’ para não serem registradas pelas câmeras de segurança ou arquivos da unidade, o que representava uma grave quebra dos protocolos de segurança.”

O documento disponibilizado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) ainda revela as intenções de Joneuma com a intermediação das reuniões entre o grupo criminoso e o político:

  • Acobertar politicamente as atividades criminosas da facção PCE;
  • Favorecer suas ações no interior do Conjunto Penal de Eunápolis.

Eleitores cativos

Em troca da relação com o político, a ex-diretora penal oferecia a Uldurico “eleitores cativos”.

“O político fornecia apoio para que ela se mantivesse na administração do Conjunto Penal, representando os interesses do PCE. O voto comprometido era comercializado, e cada eleitor aliciado recebia a quantia de R$ 100,00”, diz outro trecho da denúncia.

A quantia seria distribuída entre os membros do PCE, além dos familiares e amigos do grupo criminoso.

Apesar da promessa, Uldurico Júnior não conseguiu se eleger no município e foi derrotado por Marcelo Belitardo (União Brasil).

Na ocasião, ele ficou com 18.130 votos, figurando em segundo lugar na corrida eleitoral.

Relacionamento amoroso

Na denúncia, Uldurico também é acusado de ter mantido um relacionamento amoroso com Joneuma, resultando em uma gravidez.

Ex-diretora penal de Eunápolis, Joneuma
Ex-diretora penal de Eunápolis, Joneuma | Foto: Divulgação

Em abril deste ano, a ex-gestora entrou com uma ação na Justiça contra o emedebista para pagamento de pensão alimentícia.

O que diz Uldurico Júnior?

Em nota encaminhada ao Portal A TARDE, o ex-deputado federal diz que a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis não conseguiu apresentar provas sobre consistentes sobre o exame de paternidade.

"Não existe exame de DNA. Ela juntou no processo um arquivo em branco com nome exame de DNA, o que foi considerado má-fé pela juíza do caso, que solicitou a juntada de indícios. O que não foi feito, e por isso, o processo foi encerrado", disse.

Já sobre relação com as facções, Uldurico diz que

"Eu não respondo a nenhuma acusação, apenas estive no presídio conversando com vários representantes de cada ala, para falar sobre direitos humanos, que sempre foi uma pauta minha como deputado federal, se ele estava entre eles, não me lembro"

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Bahia ex-diretora de presídio Joneuma Silva Neres Política Uldurico Júnior

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