CONTAS PÚBLICAS
Bolsa Família: governo terá de encontrar R$ 22,7 bilhões para bancar reajuste
Aumento de 15,04% terá custo de R$ 5,8 bilhões apenas em 2026



O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de remanejar despesas de outras áreas para bancar o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições.
A medida vai aumentar os gastos do programa em R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027, segundo o governo.
O custo adicional não está previsto no Orçamento de 2026 nem no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que já foi enviado ao Congresso.
Por isso, a equipe econômica terá de identificar despesas que podem ser reduzidas ou remanejadas para abrir espaço para o novo gasto.
“Nós vamos fazer remanejamento de outras rubricas nas quais a gente identifica sobras”, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, ao anunciar a medida na quinta-feira, 17.
Segundo ele, o objetivo é garantir os recursos para o reajuste sem aumentar a despesa total do governo.

A equipe econômica afirma que parte do espaço para bancar o aumento foi aberta pela redução da fila de pedidos de benefícios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O governo, porém, ainda não detalhou quanto foi economizado com essa redução.
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As mudanças nas despesas deverão ser apresentadas na próxima semana, com a divulgação do relatório de avaliação de receitas e despesas do quarto bimestre.
Para bancar o aumento ainda em 2026, o governo precisará enviar ao Congresso um projeto de lei para abrir crédito suplementar, mecanismo que permite alterar os valores autorizados no Orçamento.
O Orçamento deste ano prevê R$ 156,6 bilhões para o Bolsa Família. Após um corte de R$ 790 milhões feito no último relatório de avaliação de receitas e despesas, o valor disponível caiu para R$ 155,8 bilhões.
Para 2027, o mesmo valor de R$ 155,8 bilhões está previsto no PLOA enviado ao Congresso. Como o projeto já está em tramitação, o governo poderá propor alterações ao texto durante a análise do Orçamento.
Quanto o benefício vai aumentar
Com o reajuste de 15,04%, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio subirá de R$ 675 para R$ 777, segundo o governo.
Os beneficiários do programa começam a receber os novos valores a partir do dia 19 de outubro, seguindo o calendário regular com base no dígito final do Número de Identificação Social (NIS).


