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ABIN PARALELA

Bolsonaro inocentado? Moraes encerra investigação por “Abin Paralela”

Alexandre de Moraes arquivou investigação contra ex-presidente e outros três réus já condenados

Leo Almeida
Por
Jair Bolsonaro cumpre pena em regime de prisão domiciliar desde 24 de março
Jair Bolsonaro cumpre pena em regime de prisão domiciliar desde 24 de março - Foto: Beto Barata | PL

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento das investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros três envolvidos no caso conhecido como “Abin Paralela”. A decisão, no entanto, não representa uma declaração de inocência do ex-presidente, já que o ministro entendeu que os fatos investigados já foram analisados em outro processo, no qual Bolsonaro foi julgado e condenado.

Além de Bolsonaro, foram beneficiados pelo arquivamento o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, Marcelo Araújo Bormevet e Giancarlo Gomes Rodrigues. Os quatro já tiveram suas penas impostas pela Primeira Turma do STF no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado e atos contra o Estado Democrático de Direito.

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A investigação da chamada “Abin Paralela” apurou o uso do sistema First Mile para monitorar, sem autorização judicial, a localização de aparelhos celulares de adversários políticos, jornalistas e ministros do STF. O esquema teria ocorrido entre 2019 e 2022.

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Por que o caso de Bolsonaro foi arquivado?

Moraes considerou que Bolsonaro, Ramagem, Bormevet e Rodrigues já foram julgados pelos mesmos fatos em ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Por isso, determinou o arquivamento da investigação em relação aos quatro.

Na prática, a decisão encerra a apuração específica contra esses investigados no inquérito da “Abin Paralela”. O arquivamento, porém, não significa que Bolsonaro tenha sido absolvido de todas as acusações relacionadas ao caso. A decisão está relacionada à compreensão de que os fatos já foram objeto de julgamento em outro processo.

O ministro também determinou o arquivamento das investigações contra integrantes da alta cúpula da Abin por ausência de “justa causa”. Segundo Moraes, as acusações contra esses servidores eram baseadas em “conclusões genéricas” e não apresentavam indícios mínimos de dolo ou de uma conduta criminosa específica.

Carlos Bolsonaro vai para a primeira instância

Para Carlos Bolsonaro e os demais investigados que não possuem foro privilegiado, Moraes determinou o declínio de competência. Com isso, o caso será encaminhado à Justiça Federal de primeira instância.

O filho do ex-presidente foi apontado pela Polícia Federal como integrante do chamado “núcleo político” e coordenador do “Gabinete do Ódio”. Carlos foi indiciado pelo crime de organização criminosa.

Também deverão responder na primeira instância assessores e outros integrantes do grupo apontado pela PF como responsável pela produção e propagação de notícias falsas, entre eles Daniel Ribeiro Lemos e Mateus de Carvalho Sposito.

A ‘Abin Paralela’

A investigação apurou o uso indevido do sistema First Mile, uma ferramenta capaz de monitorar a localização de dispositivos móveis. Segundo as apurações, o sistema teria sido utilizado para vigiar adversários políticos, jornalistas e ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, uma estrutura clandestina teria sido instalada dentro da agência para produzir desinformação e utilizar recursos do Estado para fins considerados ilícitos e antidemocráticos.

Moraes também autorizou o compartilhamento integral das provas reunidas no inquérito com o Inquérito das Fake News. A medida foi tomada em razão da conexão apontada entre a atuação do chamado “Gabinete do Ódio”, as ações contra o sistema eleitoral e os ataques ao Poder Judiciário.

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Abin paralela Jair Bolsonaro STF

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