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CASO DAS JOIAS

Clã de Bolsonaro mentiu sobre joias na Fazenda Piquet, diz PF

Para os agentes federais, a versão falsa do depoimento é uma “estratégia articulada pelos investigados”

Da Redação
Por Da Redação
Narrativa mentirosa da cúpula trata sobre o conjunto “kit ouro rosê”
Narrativa mentirosa da cúpula trata sobre o conjunto “kit ouro rosê” - Foto: Evaristo Sá | AFP

O relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o clã do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mentiu durante depoimento e chegou a emplacar a narrativa na imprensa sobre o armazenamento das joias na Fazenda Piquet, do ex-piloto de Formula 1, Nelson Piquet, em Brasília.

Segundo os agentes federais, o documento é uma “estratégia articulada pelos investigados”. A narrativa mentirosa da cúpula trata sobre o conjunto “kit ouro rosê”, contendo uma caneta, um anel, um par de abotoaduras, um rosário árabe e um relógio, recebido pelo então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, após viagem a Arábia Saudita. O item foi a leilão em Nova York, mas não foi arrematado.

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“Posteriormente, após a tentativa frustrada de venda, e cientes da restrição legal de comercializar bens do acervo privado presidencial no exterior, somado à divulgação na imprensa da existência do referido kit, Mauro Cid, Marcelo Camara e Osmar Crivelatti organizaram uma ‘operação de resgate’ dos bens”, diz o documento.

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Em troca de mensagens, Paulo Camara citou uma matéria veiculada pela imprensa sobre a possibilidade de vistoria do Tribunal de Contas da União (TCU) na fazenda. “O problema é que essa matéria está falando que se o TCU quiser ir lá vai encontrar e não vai”.

Entenda

Osmar Crivelatti, que atuava como segurança do ex-presidente, em depoimento à PF declarou uma versão falsa sobre o armazenamento das joias na fazenda. Ao ser convocado novamente pelos agentes, em março de 2024, ele mudou a versão.

“Indagado sobre o motivo de faltar com a verdade no depoimento prestado, na condição de testemunha, afirmando falsamente que retirou os itens integrantes do kit em ouro rose diretamente da Fazenda Piquet e os entregou ao advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, respondeu que tinha ciência de que o coronel Marcelo Camara, em declarações anteriores à Polícia Federal, tinha afirmado falsamente que o kit em ouro rose estaria na Fazenda Piquet. Que, diante disso, quando foi convocado a prestar esclarecimentos na Polícia Federal, o declarante procurou manter a mesma versão, mesmo ciente da falsidade das afirmações”, diz o documento da PF.

A mesma versão falsa foi repetida por diferentes testemunhas ouvidas, como o próprio Jair Bolsonaro, “com o objetivo de não revelar que as joias foram enviadas aos Estados Unidos para serem vendidas ilegalmente”. O relatório aponta que o grupo demonstrava preocupação que fosse descoberto que os itens não estavam no Brasil.

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Fazenda Piquet fraude investigação Jair Bolsonaro jóias polícia federal

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