POLÍTICA
Brasileiros entram na lista de sanções dos EUA por ligação com o PCC; entenda os efeitos
Ações atingem brasileiros e companhias no Brasil e em Portugal


As sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra alvos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) Unidos contra alvos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) seguem um padrão que vai além da punição individual: elas atingem ativos, restringem transações internacionais e ampliam o alcance sobre empresas associadas direta ou indiretamente aos investigados.
A medida, divulgada nesta quarta-feira, 1, integra a primeira rodada de sanções após a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas internacionais, feita em junho pelo governo Trump.
Como funcionam as sanções na prática
Segundo o governo norte-americano, todos os bens dos sancionados que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos passam a ser bloqueados e devem ser reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). A regra também se estende a empresas que tenham participação igual ou superior a 50% de pessoas já sancionadas.
O comunicado detalha também que ficam proibidas todas as transações realizadas por pessoas dos Estados Unidos, ou em território americano, inclusive em trânsito, envolvendo qualquer propriedade ou interesse dos sancionados.
Além disso, instituições financeiras estrangeiras que “conscientemente facilitem transações significativas para os sancionados” podem ser alvo de sanções secundárias, o que inclui restrições severas de operação no sistema financeiro americano.
Na prática, o mecanismo funciona como uma forma de isolamento econômico internacional, ao dificultar o acesso dos sancionados a bancos, transferências e operações que envolvam o sistema financeiro dos EUA.
Quem foi sancionado
As restrições atingem dois brasileiros e quatro empresas, sendo três delas sediadas no Brasil e uma em Portugal.
Brasileiros sancionados:
- Victor Henrique de Oliveira Shimada;
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
Empresas sancionadas:
- Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda;
- Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda;
- Wave Construcoes Inteligentes Ltda;
- Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal).
Rede de lavagem de dinheiro sob investigação
De acordo com o Departamento do Tesouro, os alvos fariam parte de uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, investigada principalmente no estado da Flórida.
O governo Trump voltou a classificar a facção como ““maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”” e afirmou que ela representa uma ““ameaça significativa à segurança nacional dos EUA””.
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Segundo as autoridades norte-americanas, Victor e Stella, junto às empresas listadas, integrariam uma estrutura voltada à movimentação de recursos ilícitos do grupo criminoso.
O relatório também aponta que outros seis suspeitos de participação na mesma rede foram presos em janeiro deste ano nos Estados Unidos.
Acusações detalhadas
No caso de Victor Henrique de Oliveira Shimada, o governo dos EUA o descreve como um “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”, acusando-o de lavar mais de US$ 30 milhões oriundos de atividades ilícitas em diferentes cidades americanas, com uso de criptomoedas para envio de valores ao Brasil em nome da facção. Ele também é citado por envolvimento em outros crimes financeiros.
Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025, em investigação ligada ao escândalo da VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians.
Já sobre Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, as autoridades norte-americanas afirmam que ela é parente de Shimada e atuava como sua secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, além de prestar apoio logístico às operações de lavagem atribuídas à rede.
Declaração do governo dos EUA
Ao comentar as sanções, o subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou:
“Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras. (…) O crime organizado no Hemisfério Ocidental não pode ser autorizado a estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade”.


