Busca interna do iBahia
HOME > POLÍTICA

VACINA DO FUTURO

Ciência brasileira descobre o que pode acabar com dengue e malária

População pode ganhar novos aliados no combate a epidemias recorrentes

Rodrigo Tardio
Por
Imunizantes têm cronograma rigoroso de testes e validação em laboratório antes da liberação comercial
Imunizantes têm cronograma rigoroso de testes e validação em laboratório antes da liberação comercial - Foto: Money Sharma | AFP
Eleições 2026

As patologias propagadas por vetores como mosquitos continuam a flagelar a população brasileira, com destaque para a dengue e a malária.

Em visita ao Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a reportagem acompanhou o progresso de quatro projetos científicos focados na criação de imunizantes inovadores contra essas infecções.

Tudo sobre Política em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

​Dengue

​Ameaça de novos surtos impulsiona pesquisas com RNA e vacina quadrivalente

​Com o impacto das oscilações climáticas e a influência do fenômeno El Niño, Minas Gerais enfrenta a ameaça constante de uma nova epidemia de dengue. Para conter o avanço do vírus, a cientista Nathália Pereira integra a equipe dedicada ao desenvolvimento de uma dose capaz de neutralizar todas as variações conhecidas do agente infeccioso.

​“Atualmente, convivemos com quatro sorotipos de dengue e o nosso objetivo final é uma vacina quadrivalente. O Brasil responde anualmente por metade dos registros globais da doença, o que consolida o cenário como um grave problema de saúde pública nacional”, destaca Nathália.

​Em outra frente de trabalho, a especialista Sarah Sérgio explora a tecnologia de RNA mensageiro para garantir imunização com alto nível de segurança e rápida resposta biológica.

​“O RNA atua como um mensageiro genético que permanece no organismo por um período muito curto. Ele introduz a instrução para que o próprio corpo gere a resposta imune ao produzir uma fração do vírus, sendo metabolizado e eliminado logo em seguida”, esclarece a pesquisadora.

Leia Também:

ATO PÚBLICO

De volta ao Vaticano, Papa Leão XIV conduz Angelus após alta médica
De volta ao Vaticano, Papa Leão XIV conduz Angelus após alta médica imagem

DISPUTA PAREADA

Com abstenção recorde, Lula e Flávio miram ausentes do 1º turno
Com abstenção recorde, Lula e Flávio miram ausentes do 1º turno imagem

CERTAME APRESSADO

Recurso de 5 minutos suspende licitação de R$ 6 milhões na Bahia
Recurso de 5 minutos suspende licitação de R$ 6 milhões na Bahia imagem

Malária

​Projetos miram solução universal e imunizante focado na Amazônia

​Na Região Norte, a malária desponta como uma das principais mazelas sanitárias. Originária de Manaus, a pesquisadora Luna Lacerda vivencia de perto os desdobramentos da enfermidade no cotidiano dos moradores locais.

​“A incidência da malária na Bacia Amazônica é altíssima. Em nossas incursões de campo em Porto Velho, identificamos cidadãos que já contraíram a infecção mais de 30 vezes. O esquema terapêutico é extremamente agressivo e a doença é altamente reincidente”, relata Luna.

​Para contornar o problema, a cientista atua no desenvolvimento de uma vacina universal. Enquanto as fórmulas existentes no mercado global focam em cepas específicas da África ou do Brasil, o novo projeto visa conferir proteção contra múltiplos tipos do parasita simultaneamente.

​Em paralelo, o CTVacinas avança com a Vivaxin, imunobiológico desenvolvido em cooperação com a Universidade de São Paulo (USP) focado na espécie mais incidente no território nacional. A pesquisadora Graziella Rivelli detalha o projeto:

​“A Vivaxin foi formulada para proteger a população contra a infecção induzida pelo Plasmodium vivax, protozoário transmitido pela picada do mosquito-prego (Anopheles). Sendo esta a cepa predominante na Amazônia, a vacina reveste-se de relevância estratégica e soberania sanitária para o país”, aponta Graziella.

​Etapas

​Rigor em testes pré-clínicos garante segurança aos pacientes

​Apesar dos avanços promissores, a consolidação desses fármacos demanda um cronograma rigoroso de testes e validação em laboratório antes da liberação comercial.

​“Nosso compromisso é com a eficácia e a total segurança da população. Nenhuma etapa pode ser abreviada. Precisamos atestar a resposta imune em modelos pré-clínicos, como camundongos, antes de progredir para os ensaios clínicos em seres humanos, garantindo a ausência de reações adversas graves”, conclui Sarah Sérgio.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Dengue imunização Malária Pesquisas científicas Salud pública vacinas

Relacionadas

Mais lidas