CORRENTINA
Deputado e ex-prefeito baiano são sócios de posto em contrato de R$ 7 milhões
Prefeitura firmou acordo que seria suficiente para completar 352 voltas ao redor do planeta em menos de seis meses

Por Yuri Abreu

O caso de um contrato polêmico de R$ 7 milhões firmado entre a Prefeitura de Correntina (oeste da Bahia) e um posto de combustíveis localizado no município segue rendendo novos capítulos.
A gestão municipal, atualmente comandada por Walter Mariano Messias de Souza, conhecido como Mariano Correntina (União Brasil), fez um compromisso financeiro com o objetivo de suprir a frota pública.
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Voltas ao redor do mundo
O contrato consta na edição do Diário Oficial do Município (DOM) do dia 9 de dezembro de 2025. Ao todo, o contrato prevê o fornecimento de 1.162.000 litros de combustíveis.
Para fins de ilustração, se considerarmos que um veículo de grande porte consome cerca de 3.300 litros para realizar uma viagem equivalente a uma "volta ao mundo", o combustível contratado seria suficiente para completar 352 voltas ao redor do planeta em menos de seis meses.
Deputado e ex-prefeito envolvidos
De posse do CNPJ do posto de combustíveis, a reportagem do Portal A TARDE fez uma pesquisa no site da Receita Federal para consultar a situação cadastral do empreendimento.
Conforme as informações obtidas, o posto atua no ramo de comércio varejista de combustíveis para veículos automotores. Já entre as atividades secundárias estão:
- Serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores;
- Comércio a varejo de pneumáticos e câmaras-de-ar;
- Comércio varejista de lubrificantes

Já quando é feita uma consulta ao Quadro de Sócios e Administrados (QSA), dois nomes chamam atenção. O primeiro deles é o do deputado federal Adalberto Rosa Barreto, mais conhecido como Dal Barreto (União Brasil).
O outro envolvido com o posto de combustível é o prefeito eleito de Riacho de Santana em 2024, Dr. João Vitor (PSD). Ele atua como sócio-administrador do equipamento.

Afastamento
O pessedista, no entanto, foi afastado do cargo em outubro do ano passado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). No lugar dele, tomou posse Tito Eugênio Cardoso de Castro (Podemos).
O Portal A TARDE entrou em contato com o prefeito afastado de Riacho de Santana, mas não obteve sucesso.
Em resposta, a assessoria do deputado Dal Barreto informou que "não existe, na prática, qualquer movimentação financeira, abastecimento ou execução contratual que possa ser atribuída ao deputado federal mencionado".
Leia nota na íntegra
"Diante das informações que vêm sendo divulgadas sobre o contrato de fornecimento de combustíveis firmado pela Prefeitura de Correntina, é importante esclarecer que o referido processo ocorreu por meio de credenciamento público de postos de combustíveis, conforme previsto na legislação vigente, garantindo isonomia e transparência entre os interessados.
O posto citado apenas realizou o credenciamento, assim como outros estabelecimentos aptos a participar do chamamento. No entanto, é fundamental destacar que não houve fornecimento de nenhum litro de combustível, tampouco foi emitida qualquer nota fiscal relacionada a esse contrato até o momento.
Portanto, não existe, na prática, qualquer movimentação financeira, abastecimento ou execução contratual que possa ser atribuída ao deputado federal mencionado. Associar o parlamentar a eventuais irregularidades sem que haja consumo, pagamento ou benefício concreto é uma distorção dos fatos.
Reforçamos que o deputado não possui ingerência sobre os processos administrativos da prefeitura e que sua inclusão em especulações sem base factual contribui apenas para a desinformação.
Seguimos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais".
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