DESCASO
Demissões e falta de docentes geram crise na educação em Juazeiro
Categoria relata que tem sido pega de surpresa com demissões em massa



Profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE) da rede municipal de ensino de Juazeiro, norte da Bahia, denunciam uma onda de desligamentos que ameaça o acompanhamento adequado de estudantes com deficiência na região.
De acordo com os trabalhadores, a categoria tem sido pega de surpresa com as demissões em massa, pela gestão Andrei da Caixa (MDB), cenário que tem gerado apreensão e precarizado o suporte pedagógico nas salas de aula.
Além dos desligamentos, os servidores apontam que a gestão municipal passou a remanejar os profissionais remanescentes para cobrir o déficit, impondo uma alta sobrecarga de trabalho. Para suprir os desfalques, auxiliares estão sendo divididos entre diferentes unidades escolares e acumulando o acompanhamento de múltiplos alunos.
"Tem auxiliar que vai precisar cumprir 20 horas em uma escola e outras 20 horas em outra. As que ficaram vão ter que acompanhar mais de uma criança, porque estão reduzindo o quadro", relatam os denunciantes.
Aumento da demanda
O problema não se limita a casos isolados e afeta diversas unidades da rede pública municipal. Segundo as denúncias, há profissionais orientados a acompanhar simultaneamente até três crianças com grau 3 de suporte — nível que exige assistência intensiva e contínua devido às necessidades individuais dos estudantes.
Os servidores afirmam que a orientação partiu do próprio diretório de educação inclusiva do município, que teria determinado às diretorias escolares que alocassem um único auxiliar para atender até três alunos por turma.
"Se as crianças têm direito de ter um auxiliar, por que a Prefeitura de Juazeiro não vai cumprir? Quem está sendo prejudicado são os alunos", desabafam os profissionais, que cobram providências do poder público para garantir o cumprimento dos direitos dos estudantes e a recomposição do quadro de funcionários.
Falta de professores
Mês passado, pais e responsáveis de estudantes de uma tradicional escola no interior de Juazeiro, no norte baiano, manifestam indignação diante da precarização do ensino na unidade. Historicamente vista como padrão de excelência na rede municipal, a instituição de ensino do campo hoje padece com salas sem aula, falhas no gerenciamento administrativo e demora para a recomposição do quadro funcional.
O gargalo central do problema está na transição de contratos temporários. Em conformidade com a legislação, os educadores contratados sob esse regime devem cumprir o interstício — período de afastamento compulsório necessário entre a rescisão de um contrato temporário e a assinatura de um novo vínculo com a prefeitura.
As famílias acusam de omissão o governo do prefeito Andrei da Caixa, no planejamento prévio. De acordo com os relatos, o poder executivo local não se adiantou ao término das vigências contratuais para providenciar substitutos de forma contínua, deixando a comunidade escolar desassistida.
Desfalque pedagógico
A escassez de pessoal atinge desde a docência básica até a assistência pedagógica. Conforme denúncias encaminhadas ao jornalismo, a escola sofreu a saída recente dos titulares de História e Geografia.
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O quadro já vinha se deteriorando antes mesmo do período de férias escolares, quando a mãe social e a auxiliar de classe também tiveram de deixar suas funções para cumprir o interstício exigido pela lei.
Nenhuma das vagas foi preenchida até o momento, impondo prejuízos diretos ao desenvolvimento acadêmico e ao cotidiano dos alunos. "A escola já foi referência pela qualidade do ensino, infelizmente tem perdido o brilho aos olhos de muitos. A sensação é de falta de organização e de gestão", desabafou um dos responsáveis.
Reflexos na rotina
A desarticulação afeta igualmente a condução pedagógica e o funcionamento prático da instituição. Os pais observam que a direção e a coordenação operam no limite da capacidade, sem suporte institucional para lidar com o volume de problemas acumulados.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Secretaria de Educação de Juazeiro (Seduc) refutou as queixas sobre falta de profissionais e queda na qualidade do ensino municipal, esclarecendo os seguintes pontos:
Quanto a Educação Inclusiva, diz que não houve demissões em massa no Atendimento Educacional Especializado (AEE), apenas o fim de contratos emergenciais para a substituição gradual por 858 aprovados em Processo Seletivo Simplificado. A Seduc negou o acúmulo inadequado de carga horária ou alunos e reforçou que a regra (Normativa nº 005/2025) permite até dois alunos por auxiliar no mesmo turno e sala.
Em relação à Escola Rural de Massaroca (ERUM), os professores de Geografia, História e Música foram substituídos e as aulas regularizadas. O quadro de auxiliares de sala e mães sociais foi reduzido por excesso de pessoal, mantendo-se uma mãe social com contrato ativo.
Diz ainda que, não há falta generalizada de docentes no município, que segue convocando aprovados de cinco processos seletivos (2025-2026). Um novo concurso público está em tramitação com o Ministério Público, planejado para ocorrer até dezembro de 2026.


