CASO DIEGO AZEVEDO
Entenda o imbróglio entre Sheila Lemos e vereador que parou no TRE-BA
Crise envolve troca de partido, exoneração de aliados e suspensão de mandato


Vitória da Conquista vive, desde o início do ano, um dos episódios mais comentados da política local: o rompimento entre a prefeita Sheila Lemos (União) e o vereador Diogo Azevedo (PSDB), até então um de seus principais aliados na Câmara Municipal.
O que começou como um desconforto em torno de uma candidatura terminou em exoneração de aliados, mudança de partido, denúncias públicas de perseguição política e, por fim, na suspensão liminar do mandato do parlamentar pelo TRE-BA. A Tarde reproduz a cronologia do caso com base na análise do processo em si e pela cobertura de veículos locais e estaduais.
A origem do racha: o convite recusado
Antes mesmo da repercussão pública do conflito, um episódio decisivo, e pouco explorado até aqui, ajuda a explicar a origem real do rompimento. Diogo Azevedo, então filiado ao União Brasil, foi procurado pela prefeita Sheila Lemos com um convite para ser candidato a deputado federal, numa chapa que "dobraria" com o marido dela, Wagner Alves.
Ocorre que Diogo já possuía outro entendimento político, previamente construído e chancelado pelo próprio candidato a governador ACM Neto: disputar a eleição para deputado federal dobrando com o deputado estadual Tiago Correia. Diante do convite de Sheila, o vereador optou por manter o compromisso já assumido e recusou a proposta, alegando que já tinha palavra dada.
É a partir dessa recusa que a relação entre Diogo e a prefeita começa a se deteriorar. O peso político do gesto se agrava por um detalhe institucional relevante: Sheila Lemos é a própria líder do União Brasil em Vitória da Conquista, e a presidência municipal do partido está nas mãos de sua mãe, Irma Lemos. Ou seja, ao negar o convite, Diogo contrariava diretamente o comando local da legenda à qual ainda era filiado, o que, segundo relatos posteriores, deu início a um processo de isolamento e represália política dentro da própria sigla.
Fevereiro: a candidatura que mudou o tabuleiro
O estopim do conflito remonta a 23 de fevereiro, quando veio a público a pré-candidatura de Wagner Alves, marido da prefeita Sheila Lemos. Segundo reportagem de A Tarde, a própria prefeita reconheceu publicamente que o lançamento gerou desconforto com o deputado estadual Tiago Correia, para quem Vitória da Conquista representa uma de suas principais bases eleitorais. Estava lançada a semente de uma disputa que rapidamente extrapolaria os limites da cidade.
Maio: a disputa por espaços de poder
Ao longo de maio, o portal Conquista Repórter registrou o acirramento da briga por cargos e nomeações dentro da estrutura municipal, num contexto de fortalecimento de alianças através de indicações políticas, um retrato do ambiente de disputa interna que já se instalava na gestão Sheila Lemos, diga-se de passagem, muito bem avaliada pela população.
O ponto de inflexão, porém, veio no dia 30 de maio, quando o portal Política Livre publicou a primeira notícia explícita do rompimento entre a prefeita e o vereador Diogo Azevedo. Segundo a reportagem, Diogo havia anunciado pré-candidatura em parceria com o deputado Tiago Correia, movimento que desagradou frontalmente Sheila Lemos, que apoiava a candidatura do marido. Na sequência, pessoas ligadas ao vereador foram exoneradas de cargos na prefeitura, e começou a ser articulada uma ação por infidelidade partidária contra Diogo. O episódio passou a ser tratado, a partir daí, como um verdadeiro "racha político".
Junho: o conflito ganha o estado
Nos primeiros dias de junho, o desgaste já não era mais um assunto local. Em 1º de junho, o site Interior Baiano noticiou o aprofundamento das divergências entre os dois, destacando o fortalecimento do projeto de Wagner Alves e reproduzindo críticas do deputado Tiago Correia à condução política - e não administrativa -, adotada pela prefeita, sinal de que a disputa já repercutia entre as lideranças estaduais da oposição.
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No dia seguinte, 2 de junho, o portal MundoBA trouxe uma confirmação direta da própria prefeita: Sheila Lemos admitiu o atrito com Tiago Correia decorrente da candidatura do marido. A reportagem também confirmou a migração de Diogo Azevedo para o PSDB e revelou que a prefeita já defendia publicamente a cassação do mandato do vereador.
Ao longo do mês, veículos como A Tarde, Tribuna da Bahia, Política Livre e o Interior Baiano consolidaram a narrativa de que o racha tinha uma origem clara: a disputa entre Wagner Alves, apoiado por Sheila, e o campo político de Tiago Correia, ao qual Diogo Azevedo havia se somado.
Julho: suspensão do mandato e acusações de perseguição
O desfecho institucional veio em 3 de julho, quando o portal A Tarde noticiou a suspensão liminar e monocrática do mandato de Diogo Azevedo pela desembargadora Carina Canguçu, do TRE-BA, sob a acusação de infidelidade partidária. A reportagem reforçou que o desgaste entre o vereador e a prefeita havia começado logo após o anúncio de sua pré-candidatura ao lado de Tiago Correia, e recapitulou a exoneração de aliados do parlamentar como um dos capítulos centrais do rompimento.
Ainda em 3 de julho, a Band Conquista deu voz ao próprio Diogo Azevedo, que atribuiu sua saída do União Brasil a divergências políticas legítimas: segundo o vereador, ele vinha fazendo críticas constantes à gestão municipal, discordava da prefeita em temas relevantes e havia se posicionado contra projetos do Executivo, argumentos que sustentam a tese de uma ruptura política genuína, e não meramente pessoal.
A denúncia mais contundente, no entanto, veio em 4 de julho, pelo Portal Salvador FM. Em entrevista, a defesa de Diogo Azevedo afirmou que a perseguição política contra o vereador começou justamente após sua saída do União Brasil e sua aproximação com Tiago Correia. Segundo o relato, Diogo teria sofrido pressão para abandonar seu projeto político e apoiar a candidatura de Wagner Alves; ao recusar, teria passado a sofrer isolamento político dentro da base aliada à prefeita.
Uma disputa que já é caso de estado
Em poucos meses, o que começou com a recusa de um convite para dobrar com Wagner Alves na disputa a deputado federal se transformou em um dos episódios mais discutidos da política baiana: de um lado, a prefeita Sheila Lemos e o projeto eleitoral do marido, Wagner Alves; de outro, o vereador Diogo Azevedo, hoje filiado ao PSDB e apoiado publicamente pelo deputado estadual Tiago Correia, com o mandato suspenso e uma narrativa de perseguição política que promete ainda dar o que falar nos próximos capítulos dessa disputa.
Pelas últimas notícias, o vereador já estaria em via de ingressar com medidas e recursos no próprio TSE. “Fizemos uma rápida consulta ao processo e verificamos que a suspensão de um mandato outorgado nas urnas é algo que não deveria ser ordenada por uma decisão liminar, inclusive sem que a instrução processual tenha sido sequer iniciada. Estamos nos habilitando nos autos e vamos tentar a reversão e até mesmo a reconsideração junto à juíza Carina, que é sensata e muito qualificada”, afirmou o advogado Bruno Adry.
Fontes citadas: A Tarde, Conquista Repórter, Política Livre, Interior Baiano, MundoBA, Tribuna da Bahia, Band Conquista, Portal Salvador FM.


