VITÓRIA
Governo revoga plano de hidrovias na Amazônia após atos indígenas
Decisão suspende plano de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins

A mobilização indígena no Pará alcançou seu objetivo principal nesta segunda-feira, 23. O governo federal confirmou a revogação do decreto 12.600, que previa a desestatização de rios estratégicos da Amazônia para a criação de hidrovias.
A decisão foi anunciada após um mês de resistência e tensão em Santarém, durante um ritual sagrado em frente à sede da Cargill. A medida interrompe o plano de concessão dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, pauta que uniu 1.200 lideranças indígenas em defesa de seus territórios sagrados.
A publicação oficial do cancelamento ocorrerá nos próximos dias no Diário Oficial da União. O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), confirmou a decisão nas redes sociais.
Conflito e tensão com a Cargill
A vitória dos manifestantes ocorre em um momento de pico de tensão. O grupo enfrentava uma ordem judicial de despejo e, no último sábado, 21, chegou a entrar na parte interna da sede da Cargill em Santarém.
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Em nota, a empresa do agronegócio classificou os atos como violentos e denunciou vandalismo em suas unidades de Santarém e São Paulo.
Para os povos originários, no entanto, a luta era pela sobrevivência dos rios e de seus territórios ancestrais. "Nós lutamos contra a gigante Cargill, mas eles se enganaram, porque gigante somos nós", afirmou o cacique Gilson Tupinambá.
O que muda com a decisão?
Com a publicação da revogação no Diário Oficial da União nos próximos dias, o plano de concessão dos rios amazônicos para o setor privado é interrompido. A desmobilização do acampamento em Santarém deve ocorrer ainda esta semana, encerrando um ciclo de protestos iniciado em 22 de janeiro.
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