CONTRADIÇÃO
Itapetinga gera empregos, mas exclui trabalhadores acima de 50 anos
Dados do Caged revelam que vagas para jovens de 18 a 24 anos são as que mais crescem


O mercado de trabalho do município de Itapetinga, sudoeste da Bahia, vive um cenário de contradição que opõe o crescimento econômico e a exclusão social. Os dados mais recentes do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, revelam que a cidade mantém um ritmo consistente de geração de empregos.
Em 2025, o saldo local foi positivo em 1.726 novas vagas com carteira assinada. No primeiro quadrimestre de 2026, a tendência se manteve com a abertura de mais 502 postos de trabalho.
Contudo, a análise detalhada revela que a expansão econômica ocorre por meio de uma acelerada substituição de mão de obra experiente por trabalhadores mais jovens, desenhando um fenômeno de exclusão etária na região.
Concentração na juventude
Os indicadores de admissão e demissão demonstram que os jovens de 18 a 24 anos centralizam as novas contratações no município. Em 2025, essa faixa etária absorveu 1.043 das vagas geradas na cidade, o que representou 60,4% de todo o emprego criado.
Nos primeiros quatro meses de 2026, a concentração aumentou: das 502 vagas abertas, 405 foram preenchidas por profissionais desse grupo.
Em contrapartida, os trabalhadores com mais de meio século de vida enfrentam um cenário de retração. Em 2025, a faixa de 50 a 64 anos registrou um saldo positivo de apenas 36 vagas, enquanto o grupo de 65 anos ou mais terminou o ano no vermelho, com 53 demissões a mais do que contratações.
O panorama agravou-se no início de 2026. Pela primeira vez na série histórica do município, ambas as faixas — de 50 a 64 anos (saldo de -14) e acima de 65 anos (saldo de -3) — entraram em déficit simultaneamente, consolidando a tendência de fechamento de postos para o trabalhador veterano.
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Rotatividade industrial
De acordo com os dados oficiais, a preferência pelo perfil jovem está diretamente ligada à dinâmica do setor industrial, o principal motor econômico de Itapetinga e responsável pelo maior volume de movimentações trabalhistas nos dois períodos analisados.
O modelo produtivo local é marcado por uma alta rotatividade de pessoal (turnover). Em 2025, o tempo médio de permanência de um trabalhador na indústria do município antes do desligamento era de 19 meses.
No primeiro quadrimestre de 2026, esse tempo médio de retenção encolheu para 15,2 meses. O curto ciclo de emprego afeta diretamente a reinserção dos profissionais mais velhos, uma vez que o fluxo de recontratações permanece direcionado aos ingressantes do mercado.
Escolaridade
A análise do nível de instrução dos contratados reforça a tese de que o mercado local possui baixa demanda por cargos de alta qualificação, o que reduz as barreiras de proteção para o trabalhador sênior.
A economia de Itapetinga é dominada por vagas que exigem o Ensino Médio Completo, categoria que registrou mais de 4 mil admissões em 2025 e um saldo positivo de 288 postos em 2026.
Já as oportunidades para profissionais com Ensino Superior são restritas. Em 2025, o saldo para graduados foi de 216 vagas, recuando para apenas 22 postos nos primeiros meses de 2026.
A baixa oferta de vagas técnicas ou de gestão indica que a formação acadêmica superior já não atua como garantia de estabilidade ou recolocação para quem ultrapassa a barreira dos 50 anos.


