"Nenhuma resposta pode ser mais efetiva que o impeachment", diz Wagner sobre ameaças de Bolsonaro

Publicado quarta-feira, 08 de setembro de 2021 às 15:29 h | Atualizado em 08/09/2021, 18:46 | Autor: Luiz Felipe Fernandez

O senador Jaques Wagner (PT) defendeu o impeachment como melhor forma de rebater o intento golpista do presidente Jair Bolsonaro, que neste 7 de setembro discursou contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que não cumpriria mais decisões do ministro Alexandre de Moraes.

Para o petista, a "reação tem que institucional" e deve ser dada pelo Congresso, a começar pela Câmara, presidida por Arthur Lira (PP-AL), que decide sobre o andamento dos pedidos já protocolados.

"A reação tem que ser institucional. Até porque os atuais golpes são dados por dentro da democracia, como foi feito com a Dilma e com o Lula. A resposta, portanto, cabe às instituições. E nenhuma resposta pode ser mais efetiva agora do que o impeachment. A Câmara com a palavra", afirmou.

O ex-governador da Bahia não quis comentar a fala do provável candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, que avaliou que o PT não tinha interesse em aderir ao movimento pelo impeachment de Bolsonaro por apostar na polarização para 2022, e reforça a sua posição favorável a abertura do processo.

Em pronunciamento nesta quarta-feira (8), Arthur Lira (PP-AL) não deu sinais de que pretende pautar logo um dos pedidos contra o presidente e nem citou nominalmente a palavra impeachment. O pepista, contudo, mandou um recado a Bolsonaro e prometeu que não haverá mais espaço para "radicalismo".

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux foi mais duro e direto. O magistrado alertou ao presidente que descumprir medidas judiciais de qualquer um dos Poderes configura "crime de responsabilidade" e lamentou que tenha se tornado comum que "movimentos invoquem a democracia como pretexto para promover ideais antidemocráticos".

CAUTELA - Do bloco independente do Congresso, Angelo Coronel (PSD) tem uma opinião diferente da de Wagner e prega cautela quando o assunto é o processo de impeachment, que demanda um longo tempo. Para o senador, o processo ideal é aguardar até a eleição de 2022 e deixar a decisão do novo presidente nas mãos do "povo brasileiro", já que não vê chance de prosperar um impedimento a tempo.

Coronel confia que apesar de novamente aumentar a tensão entre os Poderes, Bolsonaro possa "recuar" para que haja uma "pacificação" nesta relação, mas reconhece que se nada mudar será "muito difícil" que a Câmara não coloque em pauta um dos tantos pedidos de impeachment.

"O presidente tem tensionado muito e a união entre os Poderes é um preceito constitucional. Se por acaso não houver uma mudança, o presidente não recuar, vai ficar muito difícil para a Câmara dos Deputados não abrir um processo. Mas, eu pelo menos espero, que haja uma pacificação e que em 2022, que está próximo, o próprio povo brasileiro julgue e dê o veredito final de quem merece governar o Brasil", disse Coronel.

Sobre a posição do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de criar uma comissão para avaliar a possibilidade do processo de impeachment contra Bolsonaro, Coronel diz ser prematuro o envolvimento de senadores, como Nelsinho Trad, atual líder da sigla no Congresso, e Otto Alencar, que liderou no ano passado.

O parlamentar reforça que o processo tem início na Câmara e, portanto, ainda é cedo que se coloque a discussão no Senado.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado federal baiano Cláudio Cajado (PP) afirmou em conversa com o grupo A TARDE que não se pode ainda falar em abertura de impeachment por uma fala "hipotética" do presidente Jair Bolsonaro, em referência à ameaça de que não cumpriria mais ordens do ministro Alexandre de Moraes.

Para o pepista, do partido aliado ao governo do PT na Bahia, acredita que a tendência é de que o Executivo consiga dialogar com os demais poderes e que se encontre a tão esperada "harmonia".

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